A tentativa de levar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) encontra obstáculos. O cenário, marcado por divisões internas na direita e resistências partidárias, ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (31). Após uma negativa do PP, Flávio declarou respeito à posição do partido, mas afirmou que é persistente: “Sou brasileiro, não desisto nunca.”
Flávio se referiu a Tereza como seu “sonho de consumo” para a composição da chapa, enquanto Valdemar Costa Neto, presidente do PL, atua fortemente para concretizar a aliança. Empresários, especialmente do agronegócio, pressionam pela candidatura da senadora.
Entretanto, o PP, sob a liderança de Ciro Nogueira, optou por manter-se neutro nas eleições presidenciais, conforme anúncio feito na sexta-feira. O PP faz parte de uma federação com o União Brasil e depende do apoio deste último para decidir sobre a aliança com Flávio. Dificuldades para alinhar os interesses de diretórios estaduais com a posição nacional são um empecilho.
A relação entre Flávio e Ciro Nogueira também influencia a situação. Nogueira enfrenta problemas legais relacionados ao caso Master e, desde que Flávio começou a ser investigado, tomou distância do presidente do PP. Tanto Flávio quanto Ciro estão mencionados nas investigações, o que aumenta a complexidade das negociações.
Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, é vista como uma adição valiosa à chapa, pois tem boa relação com empresários e pode atrair o eleitorado feminino, um ponto fraco de Flávio nas pesquisas. Além disso, uma aliança com o PP garantiria recursos do fundo eleitoral e tempo de TV.
Desde o início das conversas sobre sua possível vice-candidatura, Tereza deixou claro que sua prioridade é o mandato no Congresso e a aspiração de presidir o Senado em 2027. No dia 27 de julho, Valdemar Costa Neto informou que Tereza havia declinado o convite para ser vice, e no dia 30, Flávio se reuniu com ela.
Na última sexta, Flávio mencionou que a senadora teria aceitado o convite, mas que a confirmação depende da resposta do PP. Minutos depois, o partido reafirmou sua neutralidade nas eleições. A expectativa é que os partidos definam suas posições até 5 de agosto, data limite para as convenções, e até 15 de agosto para registrar as chapas.
Confira um resumo cronológico das negociações:
- 11 de fevereiro de 2026: Tereza diz que é cedo para discutir a chapa.
- 6 de abril de 2026: Divisão interna: enquanto o Centrão sugere Tereza, outros preferem Romeu Zema.
- 9 de abril de 2026: Flávio a chama de “sonho de consumo” para vice.
- 28 de abril de 2026: Tereza classifica a possibilidade como “pura especulação”.
- 21 de julho de 2026: Tereza nega formalmente convite, focando na presidência do Senado.
- 22 de julho de 2026: Ciro informa a Flávio sobre a tendência de neutralidade do PP-União Brasil.
- 29 de julho de 2026: Flávio e Tereza conversam sobre a chapa.
- 30 de julho de 2026: Tereza confirma discussão sobre a vice, mas sem definições.
- 31 de julho de 2026: Flávio anuncia que Tereza aceitou o convite, porém a confirmação depende do PP, que logo em seguida reafirma sua neutralidade.
Com informações de g1.globo.com.








