O uso da Inteligência Artificial (IA) no mercado imobiliário tem se mostrado menos evidente do que em outros setores, impactando tanto a construção quanto as decisões de compra. Embora a IA já tenha sido adotada para otimizar tarefas em empresas do ramo, seu verdadeiro potencial se revela nas transações de compra e venda e locação, trazendo resultados significativos, tanto positivos quanto negativos.
Essa tecnologia atua de forma bidirecional: as empresas a utilizam para aprimorar processos e aumentar as vendas, enquanto os consumidores se beneficiam, utilizando chatbots como consultores nas negociações, com resultados variados.
O corretor imobiliário Ryan Serhant compartilhou uma situação em que um cliente quase desistiu de adquirir uma cobertura de US$ 50 milhões após consultar o ChatGPT, que a considerou cara demais. Para reverter isso, a imobiliária fez a mesma pergunta, mas com um ângulo diferente, e obteve uma resposta oposta.
Por outro lado, ferramentas bem construídas têm facilitado a conexão entre compradores e locadores, aumentando a liquidez do mercado. Felipe Buchbinder, especialista em Administração, destaca que a IA possui um grande potencial na área, desde que utilizada de maneira adequada, e enfatiza que a jornada de compra não será totalmente automatizada.
“Apenas 1% dos clientes finalizam a compra de um imóvel se a única experiência é mediada pela IA. A visita física ainda é crucial”, ressalta.
Investimentos bilionários
Recentemente, uma empresa do setor, que já utiliza IA, anunciou um investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia. O CEO destacou que os corretores não devem ser substituídos, mas sim se tornarão mais produtivos com o uso da IA, que já os torna dez vezes mais eficientes. Essa inovação promete impulsionar a liquidez no mercado imobiliário.
A IA também tem sido utilizada para garantir que os proprietários recebam aluguéis em dia, utilizando modelos que analisam milhões de dados de crédito. Com mais de dez anos em operação, essa abordagem já resultou em R$ 788 milhões pagos a proprietários, beneficiando mais de 350 mil contratos ativos.
O grande case da Zillow
A empresa americana Zillow é um case exemplar do uso da IA no setor, tendo experimentado altos e baixos em suas operações. Desde 2006, a Zillow lançou várias ferramentas de IA, incluindo uma que estimava o valor de imóveis, conseguindo reduzir a margem de erro de estimativas em uma década.
Um dos maiores fracassos da Zillow foi no segmento de iBuying, onde a empresa tentou comprar e revender imóveis diretamente com base em algoritmos. Apesar das expectativas de gerar US$ 20 bilhões em receita, o modelo falhou devido à instabilidade do mercado. Após prejuízos significativos, a empresa encerrou essa operação e redirecionou seus esforços em IA para aprimorar a experiência do usuário.
Como reduzir erros da IA e aumentar a liquidez
A Zillow implementa uma série de revisões antes de lançar seus produtos de IA, sempre priorizando transparência e responsabilidade ética, buscando evitar viés nas recomendações feitas pelos sistemas.
A visão é de que a IA pode aumentar a eficiência do mercado ao reduzir atritos, embora ainda dependa de fatores como oferta de imóveis e taxas de juros. O otimismo cauteloso acompanha os avanços dessa tecnologia.
Desafios do setor
A aplicação da IA no mercado imobiliário enfrenta desafios. A adaptação contínua dos modelos à realidade do mercado é vital, já que as condições podem mudar rapidamente. Um estudo aponta que a maioria dos projetos de IA falha, sendo a diferença entre o sucesso e o fracasso a adoção de boas práticas e uma preparação adequada antes de implementar a tecnologia.
Um olhar para o futuro
Especialistas acreditam que a IA no setor imobiliário deve evoluir, proporcionando experiências mais personalizadas aos consumidores e automatizando processos para os profissionais. As empresas que se destacarem serão aquelas que não apenas incorporarem IA, mas que também ofereçam uma experiência integrada e segura aos seus usuários.
Com informações de forbes.com.br.







