O Brasil foi responsável por quase 60% dos dividendos pagos por empresas da América Latina no primeiro trimestre de 2026, totalizando US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões) destinados aos acionistas. As mineradoras, especialmente a Vale, e companhias do setor de energia se destacaram nesse resultado.
Jane Shoemake, gestora de carteiras da Janus Henderson Investors, aponta que a forte presença das empresas de commodities é um dos principais fatores para esse resultado. Ela explica que os setores de materiais e energia representam atualmente 30% do índice MSCI América Latina, enquanto no índice MSCI Mundial, essa participação é de apenas 7%. Isso significa que esses setores têm um impacto significativo nos lucros e dividendos das empresas locais.
Essas informações fazem parte de um estudo da Janus Henderson, uma gestora global de investimentos que supervisiona US$ 480 bilhões (R$ 2,44 trilhões). As empresas da América Latina, no total, pagaram US$ 10,5 bilhões (R$ 53,3 bilhões) em dividendos entre janeiro e março, apresentando um crescimento subjacente de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a alta foi de 9,6%, com a Vale aumentando seu dividendo por ação de R$ 2,66 para R$ 3,58, um crescimento de 34,6%.
Commodities impulsionam os pagamentos na região
Shoemake ressalta que a concentração de mineradoras e empresas de energia torna os dividendos na América Latina particularmente sensíveis ao desempenho das commodities. A valorização dos produtos básicos ou o aumento da demanda por minerais, como cobre e lítio, impulsiona esses pagamentos.
No México, os dividendos chegaram a US$ 1,4 bilhão (R$ 7,1 bilhões), liderados pelo Grupo México, com um crescimento de 36,4%. Já no Chile, as distribuições foram de aproximadamente US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões).
Projeções indicam que o lucro por ação das empresas latino-americanas deve crescer 29% em 2026, com os dividendos também apresentando um avanço de 12% no período. O setor de energia é o que deve ter maior crescimento, com uma expectativa de aumento de até 75% nos pagamentos.
Demanda por minerais impulsionada pela IA
Globalmente, o setor de materiais básicos teve o maior aumento de dividendos no primeiro trimestre, com um avanço de 47,1% em relação ao ano anterior. Isso se deve à alta procura por minerais utilizados em tecnologias como inteligência artificial.
Embora os materiais básicos tenham crescido, o setor financeiro ainda é a maior fonte de dividendos do mundo, totalizando US$ 90,8 bilhões (R$ 461,3 bilhões). As empresas de tecnologia seguiram com US$ 43,7 bilhões (R$ 222 bilhões).
Dividendos globais em alta
No total, as empresas monitoradas pela Janus Henderson distribuíram US$ 424,5 bilhões (R$ 2,16 trilhões) em dividendos no primeiro trimestre, um aumento de 10,1% em relação a 2025. As recompras de ações somaram US$ 425,7 bilhões (R$ 2,16 trilhões), mas apresentaram uma leve queda de 3,1% no mesmo período.
Os Estados Unidos continuam sendo a principal fonte de retorno aos acionistas, com as empresas americanas pagando US$ 183,5 bilhões (R$ 932,2 bilhões) em dividendos e US$ 266,7 bilhões (R$ 1,35 trilhão) em recompras de ações.
Shoemake explica que, enquanto os dividendos refletem decisões de longo prazo, as recompras têm uma natureza mais cíclica. Para 2026, é projetado um aumento de 8,3% nos dividendos globais, enquanto as recompras devem cair em 1,1%.
Com informações de forbes.com.br.







