Os mercados globais operam nesta quinta-feira (30) em busca de novas direções após a recente decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa de juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%. A votação trouxe três votos contrários entre os doze membros do Comitê, o que abre espaço para futuros aumentos.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, não apresentou uma sinalização clara sobre a trajetória futura das taxas, uma prática conhecida como “forward guidance”. Em coletiva na quarta-feira (29), ele afirmou que o Comitê “não hesitará” em agir em reuniões futuras caso as pressões inflacionárias persistam, mas não detalhou os critérios para aumentar os juros, levando o mercado a considerar sua comunicação confusa e, por vezes, contraditória.
A reação imediata dos mercados foi perceptível. Na tarde de quarta, os rendimentos dos títulos de longo prazo subiram, com o título de 30 anos alcançando o maior nível desde 2007. Já os títulos de prazo mais curto apresentaram queda, indicando uma diminuição nas apostas de um aumento de juros na próxima reunião. As ações americanas, por sua vez, exibiram queda.
Pela manhã de quinta-feira, os contratos futuros dos principais índices de Nova York apresentaram alta, recuperando-se das perdas. Contudo, os investidores ainda se mostram cautelosos, sem uma direção clara sobre os próximos passos do Fed, dependendo dos dados econômicos que serão divulgados ao longo do dia.
No Brasil, o IGP-M de julho, medido pela Fundação Getulio Vargas, teve uma queda de 1,16%, superando a expectativa de 1,09%. Com isso, a deflação foi mais acentuada se comparada ao recuo de 0,50% registrado em junho. Ao longo de 12 meses, a queda acumulada é de 2,76%, em grande parte pela retração de 1,74% no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) no mês, especialmente em combustíveis.
O Índice de Preços ao Consumidor apresentou desaceleração, quase se estabilizando, com os preços de alimentos in natura caindo, embora isso tenha sido parcialmente compensado pela alta das passagens aéreas, influenciadas pela sazonalidade das férias de julho. O Índice Nacional de Custo da Construção, por sua vez, subiu 0,62%, principalmente devido a reajustes salariais em Recife e São Paulo.
O cenário internacional continua tenso, com as relações entre os Estados Unidos e o Irã se intensificando e o petróleo se mantendo como uma pressão inflacionária adicional. A tarifa imposta pelo governo Trump às exportações brasileiras, em vigor desde 24 de julho, também permanece no radar dos investidores locais.
Cenário de Dados e Expectativas
A agenda desta quinta traz indicadores relevantes dos EUA. O primeiro deles é a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. As projeções são variadas: o modelo GDPNow do Fed de Atlanta aponta um crescimento de 1,6%, enquanto o Fed da Filadélfia aposta em 2,1%. Este dado pode influenciar a percepção dos investidores sobre o discurso cauteloso de Warsh.
Outro indicador importante será a inflação medida pelo índice Personal Consumption Expenditure (PCE), a métrica preferida do Fed. O núcleo deste índice subira para 3,4% nos 12 meses até maio comparado ao ano anterior, o que representa o maior patamar desde outubro de 2023. Para junho, a expectativa é de uma leve desaceleração para cerca de 3,3%, resultando em um teste inicial para o discurso do banco central.
Além disso, será divulgada a taxa de desocupação no Brasil referente ao trimestre móvel encerrado em junho, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. A taxa havia se estabilizado em 5,6% no trimestre encerrado em maio, sem variações em relação ao período anterior e permanecendo abaixo do índice do ano anterior. O mercado de trabalho continua aquecido, embora sinais de acomodação gradual na renda sejam evidentes.
Indicadores da Economia
BRASIL
- Inflação IGP-M (Jul): Observado: – 1,16%, Esperado: – 1,09%, Anterior: – 0,50%
- Taxa de Desemprego (Jun): Esperado: 5,4%, Anterior: 5,6%
ESTADOS UNIDOS
- Inflação PCE (Jun): Esperado: – 0,1%, Anterior: + 0,4%
- Inflação PCE (12m): Esperado: 3,7%, Anterior: 4,1%
- Núcleo da inflação PCE (Jun): Esperado: + 0,2%, Anterior: + 0,3%
- Núcleo da inflação PCE (12m): Esperado: 3,3%, Anterior: 3,4%
- PIB dos EUA (2º trim): Esperado: 2,1%, Anterior: 2,1%
- Pedidos iniciais de seguro-desemprego: Esperado: 201 mil, Anterior: 187 mil
Com informações de forbes.com.br.






