Os feminicídios no Brasil alcançaram um número alarmante em 2025, com 1.571 registros, representando um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Esse dado se destaca em um cenário onde as mortes violentas em geral apresentaram a menor taxa em 13 anos, conforme apontam dados recentes do Anuário da Segurança Pública.
Com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, os feminicídios refletem um fenômeno preocupante, que contrasta com a queda geral nas mortes violentas, que somaram 40.775 em 2025, uma redução de 8% em relação a 2024. Essa é a menor quantidade de registros desde 2012.
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que o crescimento dos feminicídios é impulsionado tanto pela tipificação do crime quanto por um aumento real nos casos. A especialista observa que a continuidade desse crescimento sugere uma deterioração na proteção dos direitos das mulheres.
Quando se analisam apenas os homicídios dolosos, o Brasil alcançou uma taxa de 15,4 mortes a cada 100 mil habitantes, superando uma meta estabelecida para 2027.
Por outro lado, o Anuário também revela um aumento em outros tipos de violência contra as mulheres, como tentativas de feminicídio, que subiram 6%, e agressões em contexto de violência doméstica, com alta de 2,6%. O que pode sugerir que a situação de violência doméstica está se deteriorando, conforme mencionado por Brandão.
No âmbito das mortes violentas, 2025 é um ano marcante. Foi registrado o menor índice desde 2012, com uma taxa de 19,1 mortes a cada 100 mil habitantes. As quedas mais significativas foram observadas em estados como Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
O relatório também indicou um aumento em diversos indicadores de violência, como violência psicológica e stalking, apontando para uma vetorização mais ampla do problema da violência contra as mulheres.
A situação em Santa Catarina também merece destaque, pois o estado possui a menor taxa de mortes violentas do país, com 7,6 registros para cada 100 mil habitantes. Isso se contrasta com outras regiões, onde as taxas continuam elevadas.
Entre as conclusões do Anuário estão as seguintes: o crescimento alarmante dos feminicídios mesmo com a queda das mortes gerais, a redução substancial dos assassinatos desde 2012, e o aumento de outras formas de violência contra as mulheres. Esses dados colocam em evidência a necessidade urgente de políticas públicas efetivas que protejam as vítimas e promovam a igualdade de gênero.
Com informações de g1.globo.com.








