O Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, recusou os pedidos de visto feitos por dois diplomatas dos Estados Unidos, Riley M. Barnes e Samuel Samson. Eles tinham planos de viajar ao Brasil com o intuito de questionar a integridade e a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras.
A negativa ocorreu na última sexta-feira (24), antes de uma reportagem que mencionava a intenção dos funcionários. A viagem estava prevista para ocorrer semanas antes das eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro. O governo brasileiro considerou a missão como “inusitada” e decidiu não conceder os vistos.
Dentro da diplomacia, a avaliação é que, embora o Brasil tenha tradição em receber observadores internacionais nas eleições, os diplomatas norte-americanos não se encaixariam nesse perfil, tendo um “outro papel”.
Assessores do governo apontam que a iniciativa de enviar a missão coincidia com momentos em que figuras como Flávio e Eduardo Bolsonaro levantavam questões sobre as urnas eletrônicas, o que poderia indicar uma tentativa de descredibilizar o sistema eleitoral aqui do Brasil.
Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, promoveu recentemente um encontro privado com representantes de cerca de 40 países, onde levantou suspeitas sobre as urnas, alegando que elas seriam fabricadas por uma empresa venezuelana com histórico de fraudes. Essa informação, já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerou controvérsia.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideraram a tentativa de missão americana como “escandalosa” e “inusitada”. Eles alertaram que isso poderia representar uma interferência externa em um assunto que deve ser tratado exclusivamente pelas instituições brasileiras e no processo eleitoral nacional. Os magistrados também defendem uma resposta do TSE a essa proposta de missões internacionais.
Com informações de g1.globo.com.









