O governo dos Estados Unidos está organizando o envio de dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília com a intenção de questionar a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Segundo fontes, a visita deve acontecer algumas semanas antes das eleições presidenciais, marcadas para o dia 4 de outubro.
A delegação incluirá Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Samson é conhecido por suas viagens a outros países promovendo ideais conservadores, o que anteriormente gerou desentendimentos com políticos locais e diplomatas.
Reação da diplomacia brasileira
A movimentação provocou forte reação entre autoridades brasileiras. Diplomatas de alto escalão afirmaram que estão cientes da missão e planejam agir para evitar que os enviados intervêm nos assuntos internos do Brasil. Uma autoridade descreveu essa iniciativa como um “estratagema incompatível com a democracia brasileira”, ressaltando que o governo se empenhará em proteger o sistema de votação.
As suspeitas são de que o objetivo dos enviados seja se encontrar com críticos do sistema eleitoral e elaborar um relatório que busque deslegitimar as urnas eletrônicas. O Departamento de Estado dos EUA confirmou a viagem, mas não esclareceu a motivação ou preocupações sobre a integridade da votação no Brasil.
Tensões diplomáticas entre os EUA e o Brasil
Essa ação representa um aumento nas tensões entre os dois países, relacionadas a diversas questões, como limites à liberdade de expressão, tarifas comerciais impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros e o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
Um funcionário do Departamento de Estado comentou que essa mudança de postura na diplomacia americana reflete um novo foco: “Antes, usávamos nosso poder para defender a democracia. Agora, enviamos políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país”. Essa postura contrasta com a atuação dos EUA nas eleições de 2022, quando apoiaram a estabilidade democrática e confirmaram a idoneidade do sistema eleitoral brasileiro.
Confiabilidade das urnas eletrônicas
Ainda que haja retóricas que questionem a votação eletrônica, a confiabilidade do sistema no Brasil é amplamente reconhecida. Observadores internacionais têm atestado a eficácia das urnas. Benoni Belli, embaixador do Brasil na OEA, reforçou que missões de observação desde 2018 confirmam a segurança e confiabilidade do sistema. Salvador Romero, especialista em eleições, destacou que o modelo brasileiro é um dos mais robustos da América Latina.
Ainda assim, a dúvida sobre o sistema eleitoral segue como um tema recorrente entre setores da oposição. O pré-candidato Flávio Bolsonaro, por exemplo, fez novas acusações sobre a vulnerabilidade das urnas, alegações que já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. O influenciador Paulo Figueiredo, ligado à extrema-direita, mencionou também encontros na Casa Branca que discutem com interesse o sistema eleitoral brasileiro.
Ingerência política na América Latina
Essa investida dos EUA em relação ao Brasil é parte de uma estratégia maior do governo americano de apoiar candidatos alinhados a ideais conservadores na América Latina, como demonstra o apoio dado ao presidente Javier Milei na Argentina e ao governo conservador em Honduras.
Com informações de g1.globo.com.









