Após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o uso da Lei de Reciprocidade devido ao novo aumento de tarifas dos Estados Unidos, entidades representativas do setor empresarial manifestaram a necessidade de priorizar as negociações em vez de reações de retaliação, evitando assim uma escalada de tensões com a administração de Donald Trump.
Essa é a segunda vez recentemente que os Estados Unidos anunciam um aumento nas tarifas para produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi justificada pela percepção da Casa Branca sobre práticas comerciais desleais do Brasil. A mais nova tarifa de 12,5% é resultado da conclusão de que o Brasil e outros países não estão fazendo o suficiente para proibir ou fiscalizar a importação de produtos fabricados em condições de trabalho forçado.
Em resposta, o Palácio do Planalto criticou a medida americana, considerando-a “arbitrária e injustificada”. O governo brasileiro anunciou a intenção de acionar imediatamente os instrumentos da Lei de Reciprocidade e levar o assunto à Organização Mundial do Comércio.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) expressou preocupação com a decisão americana, enfatizando que confia na diplomacia brasileira para encontrar soluções. A entidade destacou que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial e pediu um fortalecimento do diálogo entre os países para evitar o agravamento da situação.
Na mesma linha, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) informou que o aumento de tarifas dificulta ainda mais o acesso das exportações brasileiras ao mercado dos EUA, mas também se opôs a medidas de reciprocidade. A AmCham enfatizou que tais ações podem levar a uma escalada política e comercial prejudicial à economia brasileira.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reiterou a relevância de manter o diálogo com os Estados Unidos como a melhor alternativa neste momento. O presidente da CNI, Ricardo Alban, reforçou que a negociação deve ser a prioridade.
Entretanto, fontes do Ministério das Relações Exteriores indicaram que os Estados Unidos não demonstraram real interesse em negociar e trataram as reuniões de maneira superficial.
Se o governo optar por implementar a Lei de Reciprocidade, é importante seguir os ritos legais, que incluem consultas públicas e prazos específicos para análises. Diplomatas ressaltaram que qualquer reação precisa ser cuidadosamente calibrada para não agravar a situação econômica e proteger o setor produtivo.
Entidades representativas das empresas que enfrentam o impacto das novas tarifas de 12,5% estão avaliando como as retaliações podem afetar empregos e os preços para o consumidor brasileiro.
Com informações de g1.globo.com.









