O endividamento das famílias na cidade de São Paulo alcançou 74,8% em julho, a maior taxa registrada desde novembro de 2022. Esses dados foram divulgados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela FecomercioSP.
Por outro lado, a inadimplência apresentou uma tendência de queda, com a quantidade de famílias com contas atrasadas reduzindo para 20,2%. No mesmo período do ano anterior, esse índice era de 22,1%.
Ter uma dívida não equivale necessariamente a estar inadimplente. O endividamento inclui compras parceladas, financiamentos, empréstimos e despesas no cartão de crédito, enquanto a inadimplência refere-se exclusivamente a contas não pagas dentro do prazo.
Um dado preocupante da pesquisa envolve a faixa de renda. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, a inadimplência é quase três vezes maior em comparação com aquelas que têm rendimentos acima desse patamar.
Inadimplência maior na baixa renda
Dentre as famílias com renda de até dez salários mínimos, 78,1% estão endividadas, e 24,6% delas apresentam contas em atraso. Já nas famílias que possuem rendimentos superiores a dez salários mínimos, o endividamento é de 65,4%, com 9% enfrentando dificuldades de pagamento.
A diferença também é notável entre os grupos que não acreditam ser capazes de quitar as dívidas atrasadas. O percentual é de 10,5% nas famílias de menor renda, em comparação com 3,1% no grupo com maiores rendimentos.
O comprometimento prolongado do orçamento torna as famílias ainda mais vulneráveis. Para 36,9% dos endividados, as dívidas devem impactar suas rendas por um período superior a um ano.
Endividamento teve aumento de 5,9 pontos desde fevereiro
O percentual de famílias endividadas cresceu 5,9 pontos percentuais nos últimos cinco meses. Em fevereiro, 68,9% das casas na capital paulista possuíam alguma dívida, índice que subiu para 74,8% em julho.
O levantamento não especifica a contribuição de novas compras, despesas essenciais, financiamentos ou renegociações para esse aumento, portanto, não é possível definir a causa principal dessa elevação.
Enquanto o endividamento cresce, os principais indicadores de atraso nas contas não apresentaram degradação. O tempo médio das contas vencidas caiu de 66,1 para 64,3 dias, e a proporção de dívidas atrasadas há mais de 90 dias diminuiu de 53% para 50,4%.
Cartão de crédito é comum entre as famílias
O cartão de crédito permanece como a forma de dívida mais comum, sendo mencionado por 80,2% das famílias endividadas em São Paulo. Este percentual abrange tanto compras parceladas que estão em dia quanto aquelas em atraso, portanto, não implica que ocho em cada dez famílias deixou de honrar suas faturas.
A pesquisa evidencia um aumento nas obrigações financeiras entre os paulistanos, sem necessariamente uma elevação generalizada da inadimplência. A pressão financeira está mais acentuada entre as famílias de baixa renda, que enfrentam os maiores índices de contas atrasadas e estão mais propensas a não conseguir quitar suas dívidas.
Com informações de forbes.com.br.








