O governo federal vai dar início, nesta terça-feira (21), a uma série de reuniões com representantes dos setores impactados pela nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na semana passada pelos Estados Unidos. O intuito desses encontros é mapear as principais demandas de cada segmento e definir medidas de apoio necessárias.
A coordenação das reuniões ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estão entre os participantes previstos. O Plano Brasil Soberano, criado no ano passado em resposta às taxas anteriores dos EUA, será ampliado para atender os setores afetados pela nova medida.
Durigan assegurou que o governo possui mecanismos prontos para proteger empresas e empregos diante dessa nova tarifa. Ele mencionou que as conversas vão continuar e o Plano Brasil Soberano será reforçado para apoiar aqueles prejudicados por essa taxa.
Apesar das expectativas de impactos econômicos em alguns setores, Durigan acredita que a decisão do governo de Donald Trump não comprometerá a economia nacional como um todo. Segundo estimativas, a nova tarifa deverá afetar cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
No último mês, o governo dos EUA confirmou a implementação da nova tarifa, após uma investigação comercial realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que busca apurar práticas consideradas danosas ao comércio. Embora a nova tarifa tenha sido imposta, uma lista extensa de produtos foi isenta da sobretaxa. O governo brasileiro manifestou que a medida é injustificada economicamente e possui motivações políticas, referindo-se a ela como um “marco lastimável” nas relações bilaterais.
As negociações começaram no ano passado, após um encontro entre os presidentes Lula e Trump na Malásia, e os brasileiros já haviam obtido progressos durante as conversas. Contudo, a partir de maio e junho, os representantes americanos passaram a adotar uma postura “inflexível” em relação a questões como mudanças no sistema de pagamentos PIX e legislação sobre minerais críticos.
Esse conturbado cenário culminou em uma reunião técnica, onde o Brasil apresentou uma proposta aos seis pontos levantados pelo USTR, sem obter resposta. Embora se tenha considerado improvável um adiamento da tarifa, o governo brasileiro buscou, até a véspera do anúncio, uma última chance de negociação, destacando que a nova tarifa é “injusta”.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é intensamente integrada, sendo os EUA o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Dos dez principais produtos americanos vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa. O vice-presidente Alckmin sublinhou que a tarifa aplicada aos principais produtos possui média de apenas 3%, tornando a nova taxa americana “sem sentido”.
Com informações de g1.globo.com.








