Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registraram uma captação líquida de R$ 30,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Este montante coloca os FIDCs entre os principais destaques entre os diversos fundos que, juntos, captaram R$ 184,7 bilhões no mesmo período, ao lado de renda fixa e ETFs.
Essencialmente, os FIDCs compram direitos que empresas têm a receber, como duplicatas e contratos, e antecipam esses valores com desconto. Isso permite que as empresas tenham capital de giro antes de vencerem suas dívidas, garantindo ao fundo o direito de receber dos devedores conforme as datas previstas.
De acordo com líderes do setor, como Pedro da Matta, CEO da Audax Capital, os FIDCs deixaram de ser uma opção restrita e se tornaram uma importante fonte de crédito no Brasil. A alta no número de operações reflete a necessidade crescente das empresas em diversificar suas fontes de financiamento, especialmente com o crédito bancário se tornando mais caro e seletivo.
Crescimento em meio a riscos
No início de 2026, foram oferecidos FIDCs que somaram R$ 41,7 bilhões, uma alta de 36,5% em relação ao ano anterior. Com 406 emissões, os FIDCs lideraram em quantidade de operações, superando debêntures. O patrimônio líquido da classe atingiu R$ 852,7 bilhões em junho.
O acesso a esses fundos não é exclusivo das grandes empresas. Companhias de diversos setores, como indústria, agronegócio e tecnologia, têm utilizado os FIDCs como uma alternativa viável. A chave para acessar este mercado frequentemente não é o tamanho do balanço, mas a qualidade e previsibilidade dos recebíveis da empresa.
Desafios da desbancarização
Embora a desbancarização do crédito traga oportunidades, um estudo recente ressalta que manter um relacionamento com bancos ainda é crucial. As empresas que contaram com crédito bancário mostraram um desempenho superior em vários indicadores, sugerindo que a combinação de crédito bancário e mercado de capitais pode ser a mais benéfica.
Riscos de crédito e fraudes
Com o crescimento do setor, surgem preocupações, principalmente em relação à inadimplência e a possíveis fraudes. A qualidade dos ativos que compõem a carteira de FIDCs é um ponto crítico. Casos de recebíveis inexistentes ou duplicados já foram reportados. Especialistas alertam que a verificação rigorosa da documentação, como notas fiscais e contratos, é essencial para mitigar esses riscos.
Maior responsabilidade dos gestores
A Resolução CVM 175 trouxe alterações importantes ao setor, enfatizando a responsabilidade dos gestores em verificar a existência e a validade dos direitos creditórios. Essa nova regulamentação visa evitar que os FIDCs adquiram recebíveis que não sejam legítimos.
Embora as mudanças regulamentares sejam um avanço, a necessidade de vigilância constante e a qualidade da análise de crédito continuam sendo fundamentais para proteger os investidores e garantir a segurança do mercado.
Com informações de forbes.com.br.








