A disputa no setor de pagamentos está mudando. Agora, não é só sobre cartões ou carteiras digitais, mas sim sobre quem controla os agentes de inteligência artificial que poderão comprar em nome dos consumidores. Essa visão é compartilhada pelo presidente da Elo, Giancarlo Greco, que acredita que a revolução estará na capacidade desses softwares de pesquisar preços, comparar produtos, negociar condições e realizar transações com autorização do usuário. Um projeto-piloto já está em funcionamento em parceria com a Decolar, onde um concierge digital, orientado por IA, facilita toda a jornada de compra de uma viagem em conversa única, eliminando a necessidade de alternar entre aplicativos.
A Elo está passando por uma transformação significativa. Além de processar cartões, a empresa busca explorar receitas recorrentes de serviços que agregam mais valor, como prevenção a fraudes, consultoria para emissores e identidade digital. Atualmente, esses serviços representam um pouco mais de 10% do faturamento, mas os planos são que essa fatia cresça para cerca de um terço nos próximos cinco anos. Em 2025, a Elo registrou uma receita líquida de R$ 1,6 bilhão, com um lucro de R$ 586,7 milhões e movimentando R$ 310,9 bilhões em pagamentos, contando com 34 milhões de cartões ativos e uma participação no mercado brasileiro de aproximadamente 10%.
A implementação de inteligência artificial na operação da Elo já trouxe redução de cerca de 50% nos custos de processamento, após a migração para uma plataforma totalmente em nuvem. Greco destaca que o ganho não está apenas na eficiência, mas também na produtividade e na criação de novos produtos. Ele acredita que os consumidores ainda deixarão de realizar compras ativamente, passando a definir parâmetros para que um agente digital faça isso em seu lugar.
Em uma análise mais aprofundada, Greco discute a estratégia da Elo para competir com as gigantes Visa e Mastercard, além de explicar a intenção de ampliar receitas com serviços ao invés de buscar uma abertura de capital imediata. Ele também fala sobre as consequências do Pix e do Open Finance no setor, afirmando que a bandeira nacional ganhou relevância num cenário geopolítico em transformação. Para Greco, os meios de pagamento tornaram-se parte essencial da infraestrutura econômica.
O futuro dos pagamentos
Giancarlo Greco tem uma visão clara sobre a próxima transformação na indústria de pagamentos: “Agentes de inteligência artificial vão realizar transações em nome dos consumidores”. Ele menciona o recente lançamento de um agente orientado por IA que facilita o planejamento de viagens, com a previsão de que esses assistentes automatizem compras no futuro, respeitando as autorizações dos usuários.
Esses agentes terão funções abrangentes, como pesquisar preços e efetuar pagamentos automaticamente. Contudo, surgem novos desafios, principalmente relacionado à segurança, que é crucial para garantir a legitimidade e a conformidade desses agentes aos limites estabelecidos pelo usuário.
De acordo com Greco, o cartão físico não deve desaparecer, mas seu uso deverá diminuir. Muitos consumidores já utilizam carteiras digitais, mas ainda existe uma parcela significativa da população que depende do cartão físico.
Como a Elo está se preparando para esse futuro
A inteligência artificial já gera resultados na Elo, especialmente após a criação de sua nova plataforma de processamento em nuvem. Embora seja cedo para quantificar os retornos financeiros exatos dessa tecnologia, já foram observadas reduções significativas nos custos.
Além de ser um vetor crucial de crescimento, os serviços agregados à operação principal de cartões estão aumentando rapidamente e já representam uma parte significativa do faturamento, com expectativas de crescimento continua. A Elo espera que esses serviços contribuam com cerca de 15% a 33% da receita em um futuro próximo.
O mercado brasileiro de pagamentos
O Pix, como um sistema de pagamento instantâneo, contribuiu para uma mudança na dinâmica do mercado. Greco acredita que o Pix complementa, e não substitui, os cartões, mantendo uma relação estável tanto entre pagamentos por cartão de débito quanto crédito.
Os cartões de crédito possuem características únicas, como parcelamento e chargeback, que continuam a atrair consumidores. Greco observa que ainda há oportunidades para expandir o crédito no Brasil, pois muitos cidadãos ainda não têm acesso a esse meio de pagamento.
Competição
A Elo, criada por grandes instituições financeiras, enfrenta o desafio de competir em um mercado dominado por Visa e Mastercard. Para se destacar, a Elo aposta em três diferenciais: foco no consumidor brasileiro, flexibilidade para adaptar soluções e eficiência operacional, resultando em parcerias bem-sucedidas e uma atuação sólida no mercado.
Apesar de haver interesse ocasional em uma expansão internacional, o foco principal da Elo permanece em fortalecer sua presença no Brasil. Atualmente, a empresa tem uma participação de mercado de 10%, com um volume crescente no setor de crédito.
Recentemente, surgiram rumores sobre a possibilidade de um IPO, mas Greco esclareceu que o foco atual é no plano estratégico da empresa e na adaptação ao mercado, sem uma ambição imediata de abertura de capital.
Discutindo a importância de ter uma bandeira de cartões brasileira, Greco enfatiza que isso é crucial para a segurança econômica do país, evitando perturbações que possam ocorrer devido a sistemas internacionais de pagamento.
Com informações de forbes.com.br.








