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Dívidas de empresas se tornam oportunidade de negócio para fundos no Brasil

O mercado de venda de dívidas vencidas no Brasil deve crescer 73% até 2026, impulsionado pelo alto índice de endividamento e pelas recuperações judiciais, segundo a Deloitte. Estima-se que o volume de créditos inadimplentes chegue a R$ 52,3 bilhões.

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Reprodução/Forbes Money | Forbes Brasil

O mercado de dívidas vencidas está em ascensão no Brasil, em um cenário de alto endividamento. A consultoria Deloitte projeta que o volume de créditos inadimplentes destinados à venda a investidores poderá aumentar 73%, passando de R$ 30,2 bilhões em 2025 para R$ 52,3 bilhões em 2026. Esse crescimento ocorre em meio a um número recorde de recuperações judiciais e mais de 9 milhões de empresas com contas negativadas no país, ampliando a oferta de carteiras para fundos e gestoras.

A pesquisa da Deloitte, realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 com 63 participantes, sendo 37 fornecedores de créditos e 26 compradores, estima que o volume de cessões no primeiro trimestre de 2026 seja de aproximadamente R$ 15 bilhões.

A situação desafiadora do ambiente de negócios, onde empresários enfrentam altas taxas de juros, é evidenciada por dados da Serasa Experian, que em maio registrou mais de 9 milhões de CNPJs negativados, somando R$ 229,9 bilhões em dívidas. Cada empresa inadimplente possui, em média, quase sete contas em atraso.

O cenário de pressão financeira se reflete também em processos de reestruturação. Em 2025, 2.466 CNPJs se envolveram em recuperações judiciais, um acréscimo de 13% em comparação ao ano anterior e o maior número da série histórica da Serasa, com 977 processos abertos, o maior volume desde 2016.

Antes de entrar na Justiça, uma empresa geralmente acumula dívidas com bancos, fornecedores e outros credores. Richard Ionescu, CEO da IOX, destaca que parte dessas dívidas acaba sendo reclassificada ou cedida, alimentando a formação de carteiras de NPL (Non-Performing Loans).

O que são NPLs e como funciona esse mercado

NPL refere-se a empréstimos, financiamentos e outras dívidas que não são pagos ou possuem baixa perspectiva de recuperação. Embora representem um problema para credores, essas dívidas ainda podem ter valor econômico. Bancos e outras organizações podem vender carteiras vencidas com desconto a investidores especializados, recebendo dinheiro à vista e minimizando riscos.

O retorno para quem compra depende da capacidade de recuperar um valor superior ao montante pago pela carteira, que pode ocorrer através de renegociações ou execução de garantias. Por exemplo, um investidor pode adquirir uma carteira por R$ 20 milhões que apresenta um saldo devedor de R$ 100 milhões e conseguir recuperar R$ 30 milhões.

Os principais compradores desse tipo de ativo são fundos especializados, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que captam recursos para adquirir direitos de recebimento. O mercado que antes era dominado por carteiras originadas em grandes bancos, agora inclui ativos vendidos por fintechs e varejistas.

Os setores de varejo, agronegócio, saúde e pequenas empresas devem contribuir significativamente para a oferta de carteiras nos próximos anos, além da entrada de novos vendedores no mercado, como empresas de serviços.

IOX registra crescimento significativo

A IOX reportou um crescimento de 366,1% no segmento de NPL nos últimos 12 meses. O fundo IOX Special, voltado para investidores profissionais, apresentou uma rentabilidade de 20,4% nesse período. A empresa busca oportunidades ligadas a ativos relevantes e que necessitam liquidez, além de potencial de recuperação.

Embora a oferta de dívidas aumente, nem todas elas encontrarão compradores. A pesquisa indicou que 51% das empresas que vendem créditos relataram não concluir pelo menos uma operação, principalmente pela diferença entre o valor esperado e a proposta recebida dos investidores.

O risco de não recuperação eleva o desconto exigido, e questões como alta de juros, demoras e a qualidade dos documentos impactam o preço das carteiras. Uma dívida adquirida por um valor baixo pode não garantir retorno se a documentação não for adequada, ressaltam especialistas.

A legislação também influencia a dinâmica do mercado, com alterações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) facilitando a venda de direitos creditórios por empresas em recuperação judicial, ampliando as oportunidades de venda desses ativos.

Expectativa de aumento nos investimentos

Projeções indicam que a concorrência por carteiras de dívidas deve aumentar. Entre os compradores consultados, 77% afirmam intenção de incrementar investimentos em 2026 e 2027, com uma previsão de desembolsar R$ 6 bilhões este ano e R$ 7,5 bilhões no próximo.

Com o aumento no volume de carteiras, espera-se que investidores especializados se distanciem de compradores oportunistas. Aqueles que possuem tecnologia, dados e um bom processo de cobrança provavelmente capturarão mais valor no mercado de NPL.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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