Nesta quinta-feira (9), completa um ano desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. Essa correspondência intensificou as tensões comerciais entre os dois países.
Após um ano, o governo brasileiro busca evitar a implementação de novas tarifas propostas pelos Estados Unidos. Durante os últimos 12 meses, algumas tarifas foram revistas, enquanto outras permaneceram em vigor, e novas cobranças surgiram.
Os principais momentos da disputa comercial
A crise teve início com a carta de Trump enviada a Lula em 9 de julho de 2025, onde o presidente americano justificou a tarifa com argumentos políticos e comerciais, apontando um desequilíbrio na relação comercial entre os países e citando questões internas do Brasil, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Economistas alertaram que a decisão tinha uma forte componente política e poderia impactar as exportações brasileiras e os empregos no comércio com os EUA. Contrariando as alegações de Trump, dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que o Brasil vem registrando déficits na balança comercial com os EUA desde 2009, indicando que o país importa mais do que exporta.
Cerca de 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas à tarifa adicional de 40%, afetando principalmente produtos industriais, máquinas, café solúvel e itens da cadeia do aço e alumínio.
Em junho de 2026, os EUA completaram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que restringem o comércio com os EUA, levando ao anúncio de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. Além disso, uma proposta de 12,5% sobre produtos de 59 países, incluindo o Brasil, foi levantada em resposta à falta de regulamentação sobre trabalho forçado.
As tarifas ainda não foram implementadas, e o governo brasileiro continua negociando, argumentando que as críticas feitas a temas internos não são justificativas para sanções comerciais. Com essa combinação, a carga total poderia atingir 37,5% caso as medidas sejam aplicadas.
A reação brasileira foi firme, com Lula afirmando que o país não aceitaria ser “tutelado”. O governo enfatizou que questões judiciais são da competência da Justiça brasileira e que, durante o processo, defendeu a diversificação de mercados como estratégia para reduzir a vulnerabilidade em relação ao mercado americano.
Nos encontros entre os presidentes Trump e Lula, houve avanços: em novembro de 2025, após reuniões entre autoridades dos dois países, algumas tarifas foram retiradas, beneficiando produtos como carne bovina e café. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana invalidou algumas tarifas, levando Trump a recorrer a outras medidas legais, resultando em uma tarifa global temporária de 10%.
Os desdobramentos dessa disputa comercial são fundamentais para as relações entre Brasil e Estados Unidos, e a expectativa é que novas negociações ocorram para buscar soluções que evitem impactos negativos ainda maiores às exportações brasileiras.
Com informações de g1.globo.com.








