Belo Horizonte – A recente inauguração de duas novas estações do metrô em Belo Horizonte trouxe à tona a segunda tarifa mais cara do Brasil, situada em R$ 6. Apenas o Rio de Janeiro, com tarifa de R$ 7,90, ultrapassa esse valor. Com esse reajuste, a capital mineira já cobra mais do que São Paulo, onde a passagem custa R$ 5,40, mesmo com a cidade possuindo a maior rede metroviária nacional, composta por 11 linhas.
Mas por que os usuários do metrô de BH pagam mais que os paulistanos? Especialistas sugerem que essa diferença está ligada mais à forma de financiamento do transporte público do que ao tamanho da rede.
O aumento da tarifa para R$ 6 é resultado de uma série de reajustes. Em 2019, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que a passagem, que custava R$ 1,80 há 13 anos, necessitava de reajuste. Desde então, a tarifa subiu impressionantes 233%. Desde a privatização, o aumento acumulou 13,2%.
Em coletiva de imprensa, o governador Mateus Simões (PSD) explicou que o aumento reflete os custos operacionais, afirmando que o governo investe R$ 40 milhões anualmente para manter as linhas em funcionamento.
Não é só metrô
No transporte coletivo, a tarifa de ônibus em BH também ocupa a segunda posição no ranking nacional, custando R$ 5,75, atrás apenas de Florianópolis, que cobra R$ 6,90. O que está por trás desses preços?
O cientista político Giancarlo Gama, formado pela USP e mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, acredita que os altos custos do transporte público em BH refletem uma falência do modelo de financiamento. Segundo ele, a cidade enfrenta um “ciclo vicioso” em que a perda de passageiros resulta em tarifas mais altas e na deterioração do serviço.
A análise é corroborada por Guilherme Leiva, professor do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG. Ele destaca a importância de considerar não apenas o valor da passagem, mas também fatores como extensão da rede, cobertura territorial e frequência dos serviços.
SP versus BH
Os especialistas concordam que o financiamento do transporte é o que explica a discrepância nas tarifas entre BH e São Paulo, mesmo com uma rede metroviária menor em BH.
“São Paulo recebe mais recursos públicos, o que resulta em tarifas menores. Em BH, a tarifa demanda uma porcentagem maior do financiamento, enquanto o subsídio é menor”, explica Giancarlo.
Ele reforça que tarifas elevadas excluem usuários, especialmente das áreas periféricas. Essa situação leva a uma migração para o transporte individual, como motos por aplicativo e Uber, reduzindo ainda mais a arrecadação do sistema.
Giancarlo defende que o Estado deve aumentar seu apoio ao financiamento do transporte público, ressaltando que este é um direito básico previsto na Constituição, assim como educação e saúde.
Tarifa zero rejeitada
Em um contexto recente, a Câmara de BH discutiu um projeto de lei que propunha a tarifa zero para os ônibus, mas a proposta foi rejeitada. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) argumentou que a nova forma de custeio poderia desestimular empresas a operar na capital.
A tarifa alta e a Linha 2
Guilherme Leiva comenta que a ampliação da Linha 2 é um progresso significativo para a mobilidade urbana, mas alerta que tarifas elevadas podem limitar o uso das novas estações. A literatura do setor mostra que o aumento de tarifas geralmente reduz a demanda por transporte público.
Melhorias no trânsito de BH
Mesmo assim, Leiva acredita que a nova linha ajudará a melhorar a circulação na cidade ao oferecer alternativas mais rápidas e regulares. Isso pode diminuir o congestionamento ao atrair novos usuários. Contudo, o sucesso desse projeto dependerá da integração com outros modais, como ônibus e bicicletas, garantindo facilidade de acesso às estações.
A operação parcial da Linha 2 começou no dia 3 de outubro, com funcionamento de segunda a sexta, das 9h às 16h, e sem operação nos finais de semana. A conclusão total da linha está prevista para ocorrer em etapas, alcançando sua finalização completa em 2028.
Com informações de metropoles.com.







