Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, admitiu, em depoimento à Polícia Federal, ter realizado um “agrado” ao ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Sousa, ao oferecer apoio à sua família durante uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos. O depoimento ocorreu no dia 28 de outubro no contexto de um inquérito que investiga relações de Vorcaro com servidores do BC sobre possíveis vantagens indevidas.
No depoimento, Vorcaro negou ter feito pagamentos ilícitos a Sousa e a Belline Santana, que também é investigada, mas reconheceu ter sugerido um serviço de concierge para a viagem de Paulo Sérgio. “Em uma determinada reunião, ele mencionou que tinha uma viagem programada e eu disse que poderia ajudá-lo nesse aspecto. Foi um agrado, não tenho certeza se ele pagou por isso”, afirmou Vorcaro.
Investigações em andamento
Os servidores Paulo Sérgio e Belline foram afastados em março, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, enquanto são investigados por suposta atuação inadequada na supervisão do Banco Master, que foi liquidado no final de 2025.
A Polícia Federal apura se esses servidores teriam dado orientações estratégicas sobre processos que envolviam o Master, assim como revisado documentos enviados ao BC e vazado informações para que Vorcaro pudesse se antecipar a ações da autoridade monetária.
Defesas das partes
A defesa de Vorcaro destacou que ele teve a oportunidade de esclarecer os fatos e reafirmou que não houve corrupção. Já a defesa de Paulo Sérgio ressaltou que todos os custos da viagem para Orlando foram pagos pelo servidor e que não há provas de que ele ou sua equipe tenham beneficiado Vorcaro de alguma forma.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano, após já ter sido detido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, mas liberado dias depois.
Com informações de g1.globo.com.










