
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o estado do Pará emerge como protagonista nacional nos conflitos relacionados à água, com 21 incidentes registrados em 2025. Este dado foi revelado pelo relatório "Conflitos no Campo Brasil 2025", publicado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no final de abril.
Embora tenha havido uma redução geral de 29% nos conflitos comparado ao ano anterior, o levantamento aponta um aumento alarmante na violência, com o número de assassinatos no campo dobrando em todo o país. A Amazônia Legal acumula 61% das vítimas fatais, refletindo uma realidade preocupante.
O estudo indica que, apesar da diminuição do total de conflitos, a intensidade e gravidade das situações geradas aumentaram. Em 2024, foram reportados 13 homicídios, um número que saltou para 26 em 2025.
A CPT destaca que os conflitos relacionados à água estão diretamente atrelados a disputas por terra e território. No Pará, a situação é exacerbada pela expansão do agronegócio, da exploração mineral e de grandes projetos de infraestrutura. Esses empreendimentos pressionam as terras habitadas por comunidades indígenas, ribeirinhos e grupos tradicionais, restringindo seu acesso a recursos naturais fundamentais.
O agente da CPT no Pará, Francisco Alan, enfatiza que a água se tornou um ponto central de contenda, situação frequentemente agravada por contaminação ambiental e falta de consulta prévia às comunidades impactadas. “A Amazônia é considerada pelo capital como uma zona para expansão da fronteira agrícola, tornando-se assim vulnerável a práticas como grilagem, invasões, desmatamento e outras atividades ilegais”, afirmou.
Pressão Econômica e Crescimento da Violência
Mesmo com a diminuição dos conflitos, a CPT caracteriza a violência no campo como persistente e estrutural. O aumento dos assassinatos é amplamente atribuído ao crescimento de frentes econômicas nas regiões da Amazônia e do Cerrado, locais que sofrem com a intensificação da exploração agrícola e dos recursos naturais.
As lideranças comunitárias e defensores dos direitos humanos frequentemente se tornam alvos nesta dinâmica. A falta de políticas efetivas de proteção e a impunidade alimentam a contínua ocorrência de episódios de violência.
Com 61% dos assassinatos no campo acontecendo dentro da Amazônia Legal, essa região continua sendo a mais vulnerável, marcada por problemas como grilagem, invasões de terras públicas, desmatamento, garimpo ilegal e trabalho análogo à escravidão.
Impactos na Vida das Comunidades
O relatório ressaltou que o modelo de desenvolvimento fundamentado em grandes empreendimentos gera impactos profundos nas comunidades locais. No Pará, aquelas que dependem da terra e da água enfrentam a perda de território, degradação ambiental e ameaças aos seus modos de vida. Um exemplo disso inclui as comunidades da Volta Grande do Xingu, que sofrem com os efeitos da Usina de Belo Monte e novos projetos de mineração, evidenciando como grandes obras podem catalisar uma série de conflitos sociais e ambientais.
Mobilizações Sociais e a COP30
Em 2025, o Pará também se destacou pelo alto número de mobilizações sociais no Brasil. A realização da COP30 gerou uma onda de manifestações em defesa de temas pertinentes como justiça climática, conservação ambiental e garantia de direitos territoriais. Segundo a CPT, essas mobilizações desempenham um papel fundamental ao expor violações de direitos e pressionar as autoridades, além de servir como instrumento de organização e fortalecimento das comunidades diante das adversidades.



