
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, com pouco menos de quatro meses até o início da campanha eleitoral, os pré-candidatos à presidência da República estão montando suas estratégias de comunicação e definindo como desejam se apresentar aos eleitores, levando em consideração os dados das pesquisas e sua popularidade.
Enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se esforçam para minimizar as taxas de rejeição associadas ao antipetismo e ao antibolsonarismo, os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm como objetivo aumentar sua visibilidade e fortalecer suas marcas no cenário nacional.
A GloboNews e o g1 consultaram especialistas em marketing político e interlocutores das campanhas dos quatro pré-candidatos que estavam com mais de 3% das intenções de voto conforme a última pesquisa do Datafolha.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Medidas contra a endividamento:
O governo está preocupado com o fato de que as dívidas estão consumindo uma parte significativa da renda dos brasileiros. Medidas, como a isenção do imposto de renda, que poderiam ter aliviado essa situação e, por consequência, melhorado a popularidade, não tiveram a recepção esperada pelas pessoas. Um documento apresentado pelo marqueteiro Raul Rabelo, do PT, destaca esse assunto como crucial. O governo está planejando lançar um novo programa para ajudar no pagamento de dívidas, cogitando até a liberação do FGTS para facilitar esse processo, conforme confirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Preço dos combustíveis:
Em março, o governo lançou um plano visando mitigar o impacto da guerra no Irã sobre os custos dos combustíveis. As ações incluem uma fiscalização mais rigorosa sobre distribuidoras, reformulação dos preços do Gás do Povo, ampliação de subsídios ao diesel e isenções tributárias sobre biodiesel e querosene de aviação. A estratégia do PT também sugere explorar a questão da guerra iniciada por Donald Trump como uma das razões para a alta nos preços dos combustíveis, ligando a família Bolsonaro à posição de Trump.
Defesa da soberania:
Petistas acreditam que a popularidade do governo Lula foi alta durante o período de conflito em que Trump estava envolvido, por isso a questão da soberania, principalmente em relação aos EUA, será uma pauta importante na campanha. Recentemente, Lula defendeu o Pix em um claro contraponto às críticas do governo norte-americano.
Flávio Bolsonaro (PL)
Atração do eleitorado feminino:
Delegados do PL reconhecem a dificuldade da família Bolsonaro em conquistar o apoio do eleitorado feminino. Uma das estratégias para superar essa barreira é indicar uma mulher como vice na chapa. Nomes como Simone Marquetto, Clarissa Tércio e Teresa Cristina estão sendo considerados. Qualquer decisão deve surgir após pesquisa que determine qual vice agregaria melhor votos.
Contato com o mercado:
Os assessores de Flávio Bolsonaro também se preocupam em criar uma imagem de liberalismo econômico para o pré-candidato, realizando reuniões com empresários e buscando um nome técnico para conduzir o Ministério da Economia.
Proposta de fim da reeleição:
Flávio apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que proíbe a reeleição presidencial, que se for aprovada, começará a valer em 2030, o que o impediria de se candidatar novamente em um possível segundo mandato.
Ronaldo Caiado (PSD)
Alternativa à polarização:
Embora tenha se agrupado com pautas da direita, Caiado pretende se posicionar como uma alternativa à polarização existente. Seu marqueteiro, Paulo Vasconcelos, destaca que a polarização não resolve as necessidades do eleitor. A estratégia inclui a proposta de um governo responsável fiscalmente, além de um foco em saúde e vacinação que representam também valores da esquerda.
Força no agronegócio:
Caiado possui uma trajetória sólida no agronegócio, sendo fundamental mostrar seus resultados e envolvimento nesse setor, que é considerado vital para a economia nacional. A busca pelo apoio do agronegócio é crucial, já que ele compete com Flávio Bolsonaro por esse espaço.
Romeu Zema (Novo)
Combate à corrupção:
O ex-governador de Minas Gerais, Zema, tem como foco a anticorrupção e uma agenda forte contra privilégios, projetando-se como alguém que quer "acabar com a farra dos intocáveis".
Privatização e corte de ministérios:
Ele defende a privatização de estatais e o corte no número de ministérios, seguindo a lógica de reduzir gastos públicos.
Foco nos votos do Sul e Sudeste:
Zema planifica suas viagens e ações principais para o Sul e Sudeste, regiões onde existem mais identificações com suas ideias e onde possui maior potencial de votos.
A campanha eleitoral se intensifica, e cada pré-candidato delineia suas estratégias para se destacar em um ambiente político cada vez mais competitivo.



