Os preços do petróleo começam a semana em queda significativa. Os contratos futuros do tipo Brent apresentam uma baixa de 4,7%, sendo negociados a US$ 83,8, enquanto o petróleo WTI, para agosto, recua 5,9%, alcançando US$ 79,7, ficando abaixo do importante limite psicológico de US$ 80. Essa redução nas cotações ocorre por conta de dois fatores principais.
Primeiramente, no último domingo (02), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou um avanço nas conversações com o Irã, aumentando as expectativas quanto a um novo acordo. Ele mencionou que teria cancelado um ataque previamente programado após receber um pedido de Teerã e de outros países do Oriente Médio para suspender as hostilidades.
Outro ponto relevante é que, na mesma data, a Opep+, que inclui a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a Rússia, anunciou um aumento na oferta de petróleo de aproximadamente 188 mil barris por dia a partir de setembro. Essa decisão foi bem recebida pelos principais membros, como Arábia Saudita, Rússia e Iraque, e representa a continuidade da reversão gradual dos cortes de produção de 1,65 milhão de barris diários, que estavam em vigor devido a tensões envolvendo EUA e Irã.
Embora a Opep+ tenha decidido aumentar a produção, os especialistas acreditam que o impacto dessa medida nos preços será limitado a curto prazo, especialmente devido às restrições no fluxo de exportações pelo Estreito de Ormuz. A principal incerteza para os próximos meses é como gerenciar um possível excesso de oferta caso as exportações se normalizem.
No mês de julho, o Brent registrou uma alta expressiva de cerca de 24%, o que representa o maior aumento mensal desde março. Essa valorização foi impulsionada pela escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã e as interrupções no Estreito de Ormuz.
A Opep+ também emitiu uma declaração formal preocupada com os ataques a instituições produtoras de petróleo durante os conflitos no Oriente Médio, enfatizando que os reparos são caros e longos, o que impacta negativamente o fornecimento.
Apesar da elevação programada da produção, os estados membros da Opep+ ainda estão operando abaixo de sua capacidade máxima. Em 2022, os cortes na produção foram estipulados em cerca de dois milhões de barris por dia e devem permanecer até o final do ano, mesmo com alguns países, como o Iraque, pleiteando ajustes em suas cotas.
A trajetória dos preços do petróleo tem um efeito direto nas expectativas de inflação nos Estados Unidos. Em junho, a gasolina caiu 9,7%, e o índice de energia teve uma redução de 5,7%. Contudo, com o retorno da tensão entre EUA e Irã, economistas levantam preocupações sobre uma possível reversão dessa melhoria nos próximos meses. Uma queda prolongada nos preços do petróleo em setembro poderia aliviar essa pressão.
No Brasil, nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá para decidir o novo valor da Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano. A expectativa é que haja um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14% ao ano. A queda no preço do petróleo pode ajudar a reduzir a pressão sobre o IPCA, facilitando a justificativa do Banco Central para manter um ciclo de cortes. Os investidores aguardam a edição do Boletim Focus, que pode trazer atualizações nas previsões para os próximos meses.
A diminuição nos preços do petróleo é um bom sinal para as bolsas, que estão se mostrando positivas. Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do ETF EWZ iShares MSCI Brazil estão em alta no pré-mercado.
Com informações de forbes.com.br.









