
Uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria Souza Oliveira, foi presa em Joinville (SC) após viver por 14 meses como filha adotiva de uma família, enquanto fingia ser adolescente. Este não é seu primeiro caso: em novembro de 2023, Amanda já havia se apresentado como uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul, sendo encaminhada para uma unidade de acolhimento infantil em Campo Grande. A situação se complicou quando sua identidade começou a ser questionada por funcionários da instituição.
De acordo com a Polícia Civil, Amanda se apresentava como “Gabriele”, conquistou a confiança de uma família e permaneceu como filha adotiva até a sua detenção. A investigação revelou que, para entrar na unidade de acolhimento em Campo Grande, ela se fez passar por “Gabrielly dos Santos”. No entanto, a falta de documentação comprobatória levantou suspeitas entre os funcionários.
Após a desconfiança, a Polícia Militar foi informada e encaminhou Amanda para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). Na delegacia, ela relatou estar em situação de rua e ter problemas mentais, explicando que chegou à cidade semanas antes. Ela alegou ter buscado ajuda na Casa da Mulher Brasileira e que foi encaminhada para o acolhimento após afirmar ser menor de idade.
Em Joinville, Amanda novamente se fez passar por uma adolescente. O delegado Rodrigo Bueno Gusso explicou que ela estabeleceu uma forte conexão emocional com a família que a acolheu, levando uma vida confortável enquanto afirmava ter fugido do Pará devido a maus-tratos. Na verdade, a investigação revelou que Amanda é natural do Ceará.
Amanda alegou ter autismo e outras condições para justificar sua aparência adulta, além de apresentar comportamentos infantilizados. A fraude foi desvendada quando uma parente da família acolhedora começou a procurar informações sobre ela na internet e encontrou casos semelhantes em outros estados, incluindo um incidente no Rio de Janeiro.
Em 2023, Amanda havia sido presa em Nova Iguaçu (RJ) por aplicar golpes, alegando ser vítima de uma rede de prostituição e bruxaria, enquanto já fingia ser adolescente. A polícia catarinense encontrou registros da suspeita em outros estados, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
A defesa de Amanda, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, solicitou um exame de sanidade mental, que foi aceito pela Justiça. O advogado destacou que a defesa está aguardando a conclusão da perícia para esclarecer as circunstâncias do caso.
Por fim, a situação de Amanda levanta questões sobre a vulnerabilidade em sistemas de acolhimento e a necessidade de protocolos mais rigorosos para verificar identidades em casos semelhantes.



