
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, a Justiça italiana aceitou nesta quinta-feira (16) o pedido do Brasil para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, especificamente em razão de sua condenação por porte ilegal de arma. A confirmação foi feita pelo embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca de Souza. Vale destacar que a decisão ainda permite um recurso.
O caso remete a um incidente que aconteceu um dia antes do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli, armada, perseguiu um homem pelas ruas do bairro Jardins em São Paulo após uma discussão política. As cenas da ex-deputada correndo com uma pistola geraram investigações que culminaram na condenação dela pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultando em uma pena de 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
Além disso, a Justiça da Itália já havia autorizado anteriormente a extradição de Zambelli em um caso separado, relacionado à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Neste caso, foi apontado que a ex-deputada colaborou com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos fraudulentos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. A defesa da ex-deputada recorreu dessa decisão no dia 10 de abril, mas o recurso ainda não foi analisado.
Carla Zambelli, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil em maio de 2022, atravessando a fronteira com a Argentina e, antes de chegar à Itália, passou pelos Estados Unidos. Como uma foragida da Justiça brasileira, após ter sido condenada pelo STF, foi formalizado um pedido de extradição sob a supervisão do relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes.
Atualmente, Zambelli permanece detida em uma prisão nos arredores de Roma. As autoridades italianas decidiram mantê-la presa devido ao risco de fuga.
Entenda o contexto:
👉 O Brasil e a Itália mantém um tratado de extradição recíproca, em vigor desde 1993, já utilizado em diversas ocasiões. Este tratado implica que ambos os países devem disponibilizar um ao outro indivíduos procurados para tanto julgamento quanto cumprimento de penas.
👉 Em dezembro, o STF brasileiro determinou a cassação do mandato de Zambelli, contradizendo uma decisão prévia da Câmara dos Deputados. Três dias após essa decisão, Zambelli apresentou uma carta de renúncia. Ela foi condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do CNJ e fugiu para a Itália após a sentença, tornando-se assim foragida da Justiça brasileira.
➡️ Carla Zambelli está detida na Itália desde 29 de julho de 2025, em um estabelecimento prisional feminino que conta com diferentes níveis de segurança e é dividido em oito seções.
Fonte: g1.globo.com



