
A mulher de 37 anos que se fez passar por uma adolescente de 12 anos e foi adotada por uma família em Joinville, Santa Catarina, teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça na tarde desta quarta-feira (3), após audiência de custódia. Amanda Maria Souza de Oliveira deve passar por exames de sanidade mental. As informações foram confirmadas pelo advogado Rafael Luiz Siewert, defensor dativo da suspeita, e pela Polícia Civil.
De acordo com Siewert, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de exame. Ele acrescentou que a conclusão da perícia técnica poderá esclarecer as circunstâncias do caso e auxiliar nas medidas processuais a serem adotadas.
Amanda Maria viveu como filha adotiva por 14 meses, apresentando-se como Gabriele. Segundo a Polícia Civil, ela se aproximou de uma comunidade religiosa ao alegar ter fugido do Pará devido a maus-tratos, embora seja natural do Ceará. Ela é investigada por estelionato e falsa identidade.
Conforme o delegado Rodrigo Bueno Gusso, Amanda foi acolhida pela comunidade religiosa e recebeu ajuda financeira dos fiéis. Posteriormente, a família com quem ficou a ofereceu uma vida confortável. “Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família, que tinha boa situação financeira”, destacou o delegado, ressaltando que a mulher levou uma vida de adolescente sem receber dinheiro direto, mas com acesso a todos os bens.
Para sustentar sua farsa, Amanda alegava ter autismo e outras condições clínicas, justificando sua aparência adulta como resultado de hormônios usados forçadamente durante a infância. Comportamentos infantilizados incluíam o uso de mamadeiras e chupetas.
A desconfiança da família surgiu após uma tia, que não convivia diariamente com Amanda, investigar sua história e descobrir um caso semelhante no Rio de Janeiro. Isso motivou a família a procurar a polícia, que apurou que Amanda possui registros em outros estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Sobre a defesa, Siewert explicou que, como foi nomeado defensor dativo, solicitou a realização de um exame de sanidade mental. A decisão foi acolhida pelo Juízo e a mulher permanece à disposição da Justiça, aguardando a conclusão da perícia.



