
A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu, na última quarta-feira (3), uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria, que se passava por uma adolescente de 12 anos. A detenção ocorreu em Joinville, onde Amanda utilizava o nome falso de “Gabriele” e viveu, por 14 meses, com uma família, alegando ter autismo. O caso ganhou notoriedade nacional ao ser comparado a um episódio semelhante que ocorreu no Rio de Janeiro em 2023.
De acordo com informações do portal g1.globo.com, Renata Magalhães, uma nutricionista do Rio, relata ter sido enganada em 2023 por Amanda, que, na ocasião, se apresentou como “Duda”. Durante um mês, Renata e sua amiga Viviane Henriques acolheram a mulher, acreditando que ela fosse uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
A polícia informou que Amanda tinha um histórico de aplicar golpes semelhantes em outros estados, como São Paulo e Goiás. Durante a audiência de custódia em Joinville, Amanda reconheceu os crimes de estelionato e falsa identidade.
O advogado de Amanda, Rafael Luiz Siewert, solicitou à Justiça um exame de sanidade mental, que foi aprovado e será realizado pela Polícia Científica.
O caso no Rio de Janeiro envolveu relatos de um passado traumático, com Amanda afirmando ter fugido de abusos no Ceará e sofrendo por conta de um pai considerado “bruxo”. Renata e Viviane, que acolheram Amanda pensando estar ajudando uma vítima, cuidaram dela como se fosse uma adolescente, criando um vínculo emocional intenso.
A desconfiança surgiu quando Amanda começou a exibir comportamentos estranhos e manipulatórios, causando angústia a Renata, que se afastou de seus filhos para atender às exigências de “Duda”. O alerta foi dado quando as mulheres decidiram investigar a história e contatar a polícia.
A delegada Mônica Areal prendeu Amanda, que confessou os delitos, mas foi liberada na audiência de custódia. A legislação brasileira dificulta a manutenção de presos em casos de estelionato, uma vez que não envolve violência física. Investigadores descobriram material em seu celular que indicava premeditação.
Em Santa Catarina, Amanda sustentou seu disfarce alegando que sua aparência adulta era consequência do uso de hormônios durante a infância. Ao ser presa, ela reconheceu que sua conduta era errada, sem apresentar características que justificassem inimputabilidade penal.
O caso gerou discussões sobre a necessidade de tratamento psicológico para Amanda, enfatizando que a justiça deve considerar o lado humano, além do crime em si.
Amanda segue presa preventivamente no Presídio Regional de Joinville, aguardando a conclusão de um exame pericial que esclareça sua condição mental e as circunstâncias do crime.



