
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou o último criadouro de macacos-prego do Brasil, localizado em Xanxerê, Santa Catarina, devido a situações de maus-tratos. A ação foi divulgada na sexta-feira, 10 de abril de 2024.
Os animais encontrados no estabelecimento estavam desnutridos, estressados e sem acesso à luz solar. O Ibama constatou que os filhotes eram frequentemente separados de suas mães de maneira precoce. O criadouro, que funcionou por mais de uma década amparado por uma liminar judicial, também comercializava saguis e outras espécies de animais brasileiros.
Até o momento, 167 animais já haviam sido resgatados do local, incluindo 126 aves e 41 primatas, que foram encaminhados para Centros de Triagem de Animais Silvestres em Brasília, Lorena (SP) e Porto Alegre, no ano anterior. Para a retirada dos 26 macacos-prego restantes, foi necessário um mandado judicial, uma vez que o proprietário impedia a ação das equipes de fiscalização.
Uma fiscal que participou da operação relatou que o criadouro tratava os macacos como mercadorias, visando lucro com a reprodução. Durante o período em que a liminar esteve em vigor, foram registradas 240 vendas de primatas, incluindo 86 macacos-prego.
A inspeção revelou graves irregularidades, como gaiolas pequenas que impediam movimentos naturais, além de desnutrição, estresse e a separação precoce de filhotes. A fiscal destacou que os animais apresentavam comportamento de estresse extremo e medo exacerbado, resultante de manejo inadequado.
Os macacos-prego resgatados foram levados para uma instituição especializada em reabilitação, onde agora têm acesso a um ambiente amplo, com vegetação e estrutura para escalada. Segundo a fiscal, esse novo habitat permitirá que eles interajam socialmente, o que é essencial para o bem-estar da espécie.
Os órgãos ambientais alertam que a domesticação de primatas não é recomendada, pois isso compromete seu comportamento natural e pode resultar em abuso e riscos sanitários.
A operação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.



