A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito sobre a morte da empresária Geny Maria Angeli Michelin, de 70 anos, que faleceu após realizar um procedimento de face lifting na clínica Illuminare Instituto da Face, em Lages, em junho deste ano. O cirurgião-dentista responsável pelo procedimento foi indiciado por homicídio doloso, enquanto a médica que fez a sedação enfrentou a acusação de homicídio culposo.
A morte da idosa ocorreu um dia após a realização do procedimento estético. Em nota, a clínica informou que está acompanhando a investigação e se disponibiliza para colaborar com as autoridades. O nome do dentista não foi revelado.
Investigações e indiciamentos
As investigações, que foram concluídas em 20 de agosto, contaram com a realização de perícias, depoimentos de médicos envolvidos no atendimento e vistorias na clínica. A delegada Bricia Costa e Rosa, responsável pelo caso, destacou a complexidade da situação, que gerou três inquéritos adicionais. Estes apuram irregularidades sanitárias no estabelecimento, uso de medicamentos restritos e lesões corporais em outras pacientes atendidas pelo mesmo dentista.
Laudos periciais indicaram que a morte de Geny foi causada por choque hipovolêmico hemorrágico. O profissional que executou o procedimento tem registro apenas em harmonização orofacial, sem a habilitação necessária em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial ou Cirurgia Estética Orofacial, disciplinas exigidas para a prática.
A investigação revelou que o dentista vinha realizando procedimentos invasivos frequentemente, mesmo sem as qualificações adequadas. Após o ocorrido, novas vítimas relataram complicações após procedimentos realizados pelo dentista em 2024. Um dos inquéritos resultou no indiciamento do profissional por exercício irregular da medicina e lesão corporal gravíssima, devido a deformidade permanente em uma dessas pacientes.
Irregularidades na clínica
Segundo a polícia, a clínica não possuía todos os alvarás de funcionamento e as investigações sobre aquisição e uso de medicamentos também estão em andamento, em colaboração com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Justiça já impôs restrições ao dentista, proibindo-o de realizar qualquer procedimento cirúrgico para o qual não possua a habilitação reconhecida pelo Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina.
Além disso, foram determinadas medidas para a remoção de publicações nas redes sociais que promovem procedimentos que estão fora do escopo de habilitação do dentista. O caso segue sob os cuidados do Ministério Público, que concordou com a investigação e solicitou continuidade das ações legais.
Com informações de g1.globo.com.










