
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o caso Master pode se transformar em uma verdadeira corrida por delações. A dinâmica favorece aqueles que oferecem informações além do que a Polícia Federal (PF) já conhece, especialmente relacionadas a atos de autoridades públicas.
Atualmente, investigadores apontam quatro indivíduos como potenciais colaboradores: Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, João Carlos Mansur e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Entre as comunicações trocadas entre Vorcaro e Costa, há indícios de negociações que envolvem propinas em forma de imóveis de alto valor.
Apesar do clima de expectativa, até o momento, nenhum deles formalizou um acordo de delação. Daniel Vorcaro, entretanto, está mais próximo de concluir esse processo. Embora inicialmente tenha prometido apresentar o roteiro da delação em abril, seus advogados agora indicam que isso pode acontecer em maio. De acordo com Paulo Henrique, ele tem sido pressionado por familiares e amigos a revelar tudo o que sabe sobre a estrutura do esquema do Master.
A equipe de defesa de Vorcaro foi informada de maneira clara que a delação deve incluir informações novas, que excedam o que já foi obtido em seu celular. Como o caso conta com uma vasta gama de provas coletadas, a delação deve trazer conteúdos que fortaleçam as linhas de investigação já em curso, ampliando o contexto e potencialmente abrindo novas frentes de apuração.
Esse alerta deve ser enviado a todos os que estiverem em negociações para um acordo de colaboração; as portas permanecem abertas, mas a experiência em casos anteriores sugere que é fundamental que os investigados sejam transparentes desde o início, evitando revelações fragmentadas sob pressão.
Além de Vorcaro e Costa, João Carlos Mansur e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também demonstraram disposição para colaborar com as autoridades. Espera-se que, através de sua delação, Paulo Henrique esclareça a participação de políticos nas transações de compra de cartes de crédito fraudulentos, bem como nas operações do próprio Master.
O ex-presidente do BRB, que foi detido na última fase da operação Compliance Zero, ambiciona conseguir pelo menos uma prisão domiciliar e está se mostrando mais receptivo em negociar uma delação, especialmente após ter enfrentado forte pressão de amigos e familiares.
Fontes próximas a Paulo Henrique indicam que ele está sendo aconselhado a agir de maneira estratégica, evitando que sua situação se agrave para beneficiar apenas os menos culpados, enquanto muitos envolvidos tentam se desvincular de qualquer forma de penalização.
Um primeiro passo significativo já foi realizado com a troca de advogados. O ex-advogado Cleber Lopes, previamente associado ao ex-governador do Distrito Federal, foi substituído por Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Este movimento pode ser interpretado como um afastamento de Ibaneis Rocha. Tangerino, em comentários recentes sobre a prisão de Vorcaro, sugeriu que as evidências acumuladas no caso fazem uma delação ser uma escolha prudente, um conselho válido também para seu novo cliente.
Este cenário, desenhado por variados elementos e pressões, promete desdobramentos interessantes nos próximos meses.



