
Guerra entre EUA e Irã: Perdedores e ganhadores
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o conflito que começou com a promessa de uma rápida vitória dos EUA sob a liderança de Donald Trump se tornou um emaranhado de dificuldades e incertezas. Em apenas dez dias após o início da guerra, Trump declarou que os Estados Unidos já tinham “vencido a guerra de muitas maneiras”. No entanto, dois meses depois, as hostilidades foram temporariamente interrompidas, mas o final do conflito ainda está longe de ser alcançado. Os EUA continuam sem ganhos estratégicos evidentes enquanto o que foi inicialmente considerado um confronto limitado se expandiu, implicando diversas regiões do mundo em um impasse crescente, sem que se avistem vantagens claras para qualquer parte envolvida.
Melanie Sisson, pesquisadora sênior do Instituto Brookings, destacou: “Não existem vencedores claros nesse conflito, mas há países relativamente bem posicionados para gerenciar suas consequências.” A seguir, analisamos quem são os perdedores e os ganhadores nesta guerra entre os EUA e o Irã.
Quem são os perdedores?
O povo iraniano
Os cidadãos comuns, como sempre, são os que mais sofrem em qualquer guerra, e no Irã, essa realidade é particularmente dolorosa. O povo iraniano foi atacado tanto por forças externas quanto pela repressão interna. Os EUA e Israel bombardearam milhares de alvos no Irã, incluindo infraestrutura civil, resultando em mais de 3.600 mortes, incluindo cerca de 1.700 civis, conforme relatório do Human Rights Activists in Iran. Trump chegou a ameaçar com a destruição da “civilização inteira” iraniana se suas exigências não fossem atendidas.
Simultaneamente, o regime iraniano, sob a nova liderança de Mojtaba Khamenei, intensificou sua repressão brutal contra dissentidores. Desde o início do ano, mais de 600 execuções foram relatadas, além das mortes em protestos no final de 2022. A internet está bloqueada há mais de oito semanas e a economia do país sofre pesado impacto, com aumento em taxas de desemprego e pobreza.
O povo libanês
O Líbano, historicamente enredado no conflito com o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã, também viu agravar sua situação. Um cessar-fogo instável terminou quando Israel eliminou o líder supremo do Irã, levando o Hezbollah a retaliar. Desde então, Israel respondeu com bombardeios aéreos e uma incursão terrestre, resultando em mais de 2.500 mortos no Líbano. Análises indicam que Israel está aplicando a mesma abordagem devastadora que usou em Gaza, destruindo vilarejos inteiros. Aproximadamente 600 mil pessoas foram deslocadas no sul do Líbano, sem perspectiva de retorno até que o Hezbollah cesse suas ameaças.
Os países do Golfo
Os países do Golfo, que tentaram evitar esse conflito, também foram severamente afetados. Os Emirados Árabes Unidos, em particular, sofreram com ataques de mísseis iranianos, vendo seu status como um centro de negócios e turismo ameaçado. O fechamento do Estreito de Ormuz impactou severamente Iraque, Catar e Kuwait, cuja economia depende deste corredor marinho para exportação de petróleo e gás. O FMI já revisou para baixo suas projeções de crescimento econômico para essas nações, prevendo uma contração significativa neste ano.
O povo americano
A guerra não é apenas um fardo para os países do Oriente Médio, mas também pesa fortemente sobre os cidadãos americanos. A guerra acarretou um aumento nos preços de combustível, passagens aéreas e outros serviços, além de uma inflação que subiu para 3,3% em março. O sentimento do consumidor caiu drasticamente, apesar da dependência da economia dos EUA do petróleo. Sisson enfatizou: “Não há uma maneira leve de dizer isso: a situação nos Estados Unidos não é boa”.
Quem está ganhando com a guerra até agora?
A China
Pequim, a maior importadora de energia do mundo, pode na verdade emergir mais forte deste conflito. O país diversificou suas fontes de petróleo e estocou reservas consideráveis ao longo da última década. A transição para energias renováveis também pode criar novas oportunidades de mercado. Além disso, a guerra prejudica a reputação dos EUA, permitindo que a China se posicione como defensora da paz e da segurança global.
Empresas de combustíveis fósseis
As grandes corporações, como Chevron, Shell e BP, estão apresentando lucros explosivos graças aos altos preços do petróleo, prevendo um total de US$ 94 bilhões em lucros neste ano. No entanto, isso gerou pressão para que políticas fiscais extraordinárias sejam implementadas sobre essas empresas.
Rússia
A Rússia também se beneficia economicamente, já que a guerra elevou sua receita com petróleo. Embora a economia russa e seu Kremlin tenham visto aumentos significativos nas receitas energéticas, os ataques ucranianos às suas instalações têm limitado as vendas.
Considerações Finais
A guerra no Irã tem impactos globais profundos, e a situação continua a se desdobrar, com muitos jogadores se posicionando para resistir a esse novo cenário. Enquanto países e cidadãos buscam maneiras de navegar por essas águas turbulentas, as consequências do conflito moldarão políticas e economias por anos. As implicações para o futuro ainda são incertas, mas as lições aprendidas neste embate entre potências certamente influenciarão estratégias ao redor do mundo.



