
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, os ministros das Relações Exteriores dos países da OTAN se reuniram na Suécia nos dias 21 e 22 de setembro, em um encontro preparatório para a cúpula de líderes que ocorrerá em julho. Esse evento tem como principal objetivo encorajar os aliados a aumentarem seus investimentos em defesa e segurança.
A relevância desse tema se intensifica em meio às declarações de Donald Trump, que ameaçou deixar a aliança, argumentando que os Estados Unidos arcam com a maior parte dos encargos da OTAN em comparação aos demais membros.
Durante participação no programa Live CNN na sexta-feira, o editor de Internacional da CNN, Diego Pavão, apresentou dados gráficos que demonstram o quanto cada país membro destina para defesa em relação ao seu PIB.
Pavão esclareceu que não existe uma regra formal que obrigue os países a contribuírem com valores fixos para a OTAN. "O que temos é um pacto informal que, nos últimos anos, ganhou destaque, especialmente por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia", destacou. Este pacto sugere que os países devem investir, no mínimo, 2% do seu PIB em defesa e segurança.
Estados Unidos e Polônia
Os Estados Unidos lideram esses investimentos, alocando 3,2% do PIB em defesa, o que se traduz em aproximadamente US$ 900 bilhões anualmente. Segundo Trump, essa maior contribuição dos EUA é o que garante o "bem-estar social bem conhecido" na Europa.
A Polônia se destaca, investindo 4,3% do PIB em defesa, tornando-se um pilar importante para a segurança na Europa Oriental. Pavão mencionou que isso se deve, em parte, ao conflito que se desenrola em sua fronteira e pela proximidade com Belarus, que é considerado um aliado da Rússia. Em um movimento recente, Trump anunciou o desdobramento de 5 mil soldados americanos para a Polônia, contrastando com a retirada do mesmo número de soldados da Alemanha anteriormente no mês.
Destaques em porcentagem do PIB
Os países bálticos, como Lituânia e Letônia, também apresentam gastos elevados, com 4% e 3,7% do PIB, respectivamente. Essas decisões são impulsionadas pelo receio de uma possível expansão da Rússia. A Letônia, com mais de 200 quilômetros de fronteira com a Rússia, chegou a restabelecer o serviço militar obrigatório.
O Reino Unido, por sua vez, tem aumentado sua contribuição, que gira em torno de 2,3% do PIB. No entanto, a relação entre Londres e Washington tem sido marcada por tensões, especialmente em relação à falta de apoio britânico às ações militares dos EUA no Irã.
Abaixo do acordo informal
O Canadá e a Espanha, em contraste, estão abaixo do posicionamento de 2%. Enquanto o Canadá justifica sua menor alocação devido a sua distância da influência russa, a Espanha tem direcionado seus recursos para outras prioridades, em vez de focar na contenção dos avanços russos.
Pavão observou ainda que, se esses números fossem analisados antes de 2022, seriam bastante distintos. "A guerra na Ucrânia alarmou muitos países europeus, levando-os a reconsiderar seus gastos de defesa militar", comentou. Segundo ele, as reuniões da OTAN e suas cúpulas são essenciais para fomentar esse debate.
Ele também ressaltou que a análise não é unidimensional. "Os europeus têm uma série de outros gastos que os Estados Unidos não têm", disse, mencionando os bilhões de dólares que são investidos anualmente para acolher refugiados do norte da África e do Oriente Médio, além da luta contra o terrorismo, especialmente no caso espanhol.
Ademais, Pavão notou que quando os países europeus investem em sua segurança e defesa, muitos optam por adquirir equipamentos militares dos Estados Unidos, o que acaba por financiar a indústria bélica americana e gerar empregos no país.



