
Um trecho da praia de Balneário Piçarras, localizada no Norte de Santa Catarina, experimentou erosão apenas dois meses após a conclusão da quarta obra de alargamento em 27 anos. Recentemente, imagens revelaram a formação de um grande “degrau” na orla, conforme reportado pelo portal g1.globo.com.
De acordo com a prefeitura, um parecer técnico da empresa Carusondo, que supervisiona a obra por 12 meses após sua finalização, identificou essas formações como “escarpas erosivas”, criadas pela ação de agentes externos. Apesar de serem um fenômeno esperado após alargamentos, a situação pode representar riscos para a segurança dos banhistas.
A obra de alargamento, que teve início em 23 de janeiro, foi realizada em um trecho de dois quilômetros entre a Avenida Getúlio Vargas e o molhe da Barra do Rio Piçarras, sendo finalizada em apenas 75 dias. O custo total do projeto foi estimado em R$ 38,28 milhões. A prefeitura avalia agora as possíveis medidas a serem adotadas.
Segundo o parecer técnico, a erosão foi provocada pela formação de escarpas que ocorrem em decorrência de eventos de alta energia, comuns nos meses de outono e inverno. A combinação de marés de sizígia — quando o mar apresenta níveis mais altos ou baixos — e esses eventos contribui para a remoção de sedimentos da praia, favorecendo a formação das escarpas.
Os primeiros registros de escarpas ocorreram no final de abril, período em que a Marinha do Brasil emitiu avisos de ressaca para o litoral catarinense, indicando condições favoráveis para esses processos. A formação de escarpas é um comportamento frequentemente observado após intervenções de alimentação artificial de praias, como já aconteceu na Praia Central de Balneário Camboriú.
Em relação à segurança dos banhistas, o parecer alerta que não é recomendado se aproximar da base ou da borda superior da escarpa, pois a altura dessas formações pode causar desprendimentos de grandes volumes de areia, representando risco de soterramento. O local permanecerá sob monitoramento para avaliar a evolução das escarpas e a recuperação natural do perfil da praia após os eventos de alta energia.



