
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, Evan Budz, um estudante de 15 anos da cidade de Burlington, no sudeste do Canadá, foi incentivado por seus pais a deixar os lugares que visita em melhores condições do que os encontrou. Sua jornada inovadora começou quando ele observou uma tartaruga-mordedora nadando no meio d’água, o que o inspirou a pensar em uma solução biomimética para os desafios ambientais.
Esse fenômeno, que envolve a análise de organismos vivos para extrair princípios funcionais que possam ser aplicados em novas criações, levou Evan a formular uma questão fundamental para sua pesquisa: “E se um robô conseguisse replicar os movimentos de uma tartaruga sem interferir na vida aquática ao seu redor?”
Adotando os princípios da filosofia "Leave No Trace", que é amplamente respeitada por entusiastas de atividades ao ar livre como trilhas e canoagem, Evan transformou sua observação em uma solução prática. Dessa forma, nasceu a BURT, sigla em inglês para Tartaruga Robótica Subaquática Biônica — um dispositivo autônomo capaz de monitorar ameaças ecológicas em ambientes subaquáticos.
A BURT não é apenas eficaz, mas também surge como uma crítica às tecnologias subaquáticas atuais, que frequentemente geram ruídos provenientes de hélices e correntes de água em alta pressão, causando danos aos ecossistemas. O jovem inventor expressou sua preocupação ao site PopSci, destacando a necessidade de alternativas mais responsáveis.
O robô é projetado para ser gracioso e funcional, possuindo quatro nadadeiras: as dianteiras, maiores, para propulsão; e as traseiras, menores, para estabilidade e mudança de direção, imitando a anatomia das tartarugas reais. Seu corpo principal é construído em tubo acrílico, que abriga a eletrônica necessária.
Como Funciona a Tartaruga Robótica Subaquática Biônica BURT?
A BURT, apesar de manter proporções similares às de uma tartaruga real, foi reduzida em escala para facilitar sua navegação em diferentes ambientes aquáticos. Pesando cerca de cinco quilos, o robô contém um peso adicional em metal, que permite que ele afunde de maneira controlada.
Equipado com um microcomputador Raspberry Pi, a BURT utiliza modelos de inteligência artificial para processar e transmitir dados. Entre seus recursos, estão sensores como GPS para navegação em grades predefinidas, uma câmera frontal e detectores que identificam ameaças, como microplásticos e corais branqueados.
Um dos maiores desafios na criação da BURT foi a integração de uma bateria de lítio em um dispositivo destinado ao uso subaquático, o que exigiu soluções inovadoras em termos de vedação, gestão de energia e integração de sistemas. O resultado foi uma autonomia de até oito horas de operação contínua, com a adição de um painel solar, e uma velocidade de 0,8 km/h, correspondente à velocidade de uma tartaruga.
Para aprimorar a precisão do robô, Evan construiu recifes de corais simulados utilizando modelos 3D. Durante os testes, a BURT alcançou 96% de precisão na detecção de branqueamento artificial. Recentemente, ele incorporou um dispositivo holográfico e uma rede neural para facilitar a identificação de microplásticos na água.
Prêmios e Perspectivas para a Tartaruga Robótica
A invenção de Evan foi reconhecida com o primeiro lugar no Concurso para Jovens Cientistas da União Europeia, realizado na Letônia em 2025, além de conquistar o título na Canada-Wide Science Fair, que reuniu mais de 25 mil participantes em todo o país.
Os testes com a BURT foram realizados na piscina dos avós de Evan e no Lago Ontário, próximo à sua residência. As próximas etapas incluem levar o robô para ambientes aquáticos mais profundos e turvos, uma vez que já conta com iluminação frontal e um transdutor ultrassônico para detecção de obstáculos.
A expectativa é que no futuro flotas de BURTs operem em diversos oceanos, monitorando ameaças não apenas de branqueamento de corais, mas também de espécies invasoras e microplásticos, ampliando assim a vigilância ecológica subaquática de maneira não invasiva.
O que distingue este biorrobô de drones subaquáticos tradicionais é sua abordagem biomimética, que busca imitar a natureza para resolver problemas de engenharia. Em suas próprias palavras, Budz afirma: “Não quero prejudicar os diversos locais que espero proteger”, evidenciando seu compromisso com a preservação ambiental em uma entrevista à CBC Canada.



