
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, os dois últimos corpos dos mergulhadores italianos que faleceram durante uma expedição em cavernas subaquáticas nas Maldivas foram recuperados nesta quarta-feira, 20 de setembro. A informação foi divulgada pelo gabinete de imprensa da presidência das Maldivas.
Os corpos foram trazidos à superfície às 12h04, hora local, o que corresponde a 3h04 no horário de Brasília. Após a recuperação, eles estão sendo enviados para um necrotério em Malé, a capital do país. Anteriormente, na terça-feira (19), haviam sido resgatados os corpos de Monica Montefalcone e Federico Gualtieri, enquanto os dois últimos, Giorgia Sommacal (filha de Mônica) e Muriel Oddenino, foram encontrados nesta quarta-feira.
Um ponto crucial da investigação está nas câmeras corporais dos mergulhadores, que podem fornecer pistas valiosas sobre como a trágica expedição terminou em desastre. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Itália confirmou à CNN que as câmeras foram entregues às autoridades locais, que trabalham em colaboração com o Ministério Público italiano para entender as circunstâncias do acidente.
Os mergulhadores faziam parte de um grupo de cinco pessoas que se perderam enquanto exploravam as cavernas do Atol de Vaavu na quinta-feira, 14 de setembro, desencadeando um esforço internacional significativo para localizar e recuperar seus corpos. O primeiro a ser encontrado foi o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, localizado na entrada do complexo cavernoso.
No entanto, a operação de resgate enfrentou um revés quando um mergulhador militar, o sargento Mohamed Mahudhee, morreu durante as tentativas de localização, destacando os perigos associados às profundas expedições subaquáticas. As autoridades indicaram que a morte de Mahudhee poderia ter sido causada por doença descompressiva.
Após uma pausa, as buscas foram reiniciadas na segunda-feira, 18 de setembro, resultando no resgate dos quatro mergulhadores restantes na parte mais profunda da caverna.
Investigações em Andamento
As autoridades das Maldivas estão examinando diversas possíveis causas para essas fatalidades, investigando se o grupo teria descido mais fundo do que o considerado seguro. Segundo Mohamed Hussain Shareef, porta-voz do governo, uma identificação preliminar confirmou as identidades dos italianos falecidos. Ele afirmou ainda que os corpos seriam repatriados para a Itália e que as investigações iriam continuar para esclarecer os fatos.
Quem Eram os Mergulhadores?
O grupo era composto por Gianluca Benedetti, o instrutor, a professora de ecologia da Universidade de Gênova, Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, o biólogo marinho Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino. O corpo de Benedetti foi o primeiro recuperado na tetréia caverna.
Um sexto mergulhador, que acompanhava o grupo, decidiu não participar da última imersão, segundo relatos das autoridades. O grupo estava a bordo do navio Duke of York, conforme indicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália.
A Cruz Vermelha se comprometeu a oferecer apoio psicológico aos 20 italianos que permaneceram a bordo, sendo que não houve registros imediatos de ferimentos entre eles.
Desafios da Operação de Resgate
A complexidade e os perigos associados à recuperação dos corpos numa caverna que atinge até 70 metros de profundidade foram evidentes. A operação foi interrompida devido ao falecimento do mergulhador Mahudhee, resultando em um esforço que precisou ser cuidadosamente planejado, com cada mergulho limitado a cerca de três horas para evitar complicações de oxigênio e descompressão.
As condições dentro da caverna são extremamente desafiadoras, com correntes imprevisíveis, passagens estreitas e completa escuridão. A situação se torna mais complicada quando o lodo se acumula, tornando mais difícil a localização da saída.
O que Levou à Tragédia?
Ainda não foi determinada a situação exata que levou ao trágico desfecho. John Volanthen, um especialista em mergulho do Conselho Britânico de Resgate, que teve destaque no resgate da equipe de futebol juvenil na Tailândia em 2018, acredita que a profundidade e a lama da caverna complicam significativamente a operação de resgate. Ele ressaltou a importância de estabelecer uma linha-guia durante os mergulhos para evitar se perder, o que pode ter contribuído para o desaparecimento do grupo.
Volanthen também apontou que o pânico pode afetar negativamente os mergulhadores, aumentando os riscos ao mergulhar em profundidades maiores. A narcose, um estado temporário de intoxicação que pode incapacitar um mergulhador, é uma preocupação real durante imersões profundas.
Carlo Sommacal, marido de Monica Montefalcone e pai de Giorgia, expressou sua incerteza sobre a causa do acidente, afirmando que “algo deve ter acontecido lá embaixo”, especialmente em relação à experiência de sua esposa e filha como mergulhadoras.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br



