
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, a insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em indicar Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) tem se tornado um ponto de tensão no Senado. Após a rejeição do nome de Messias, Lula assegurou ao advogado-geral da União que planeja reencaminhar a indicação quando julgar apropriado, segundo apuração da analista política Edilene Lopes.
Durante uma edição do CNN Prime Time na segunda-feira (18), Lopes revelou conversas com aliados de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que expressaram que a persistência de Lula na indicação de Messias causa mais irritação ao chefe da Casa Alta. Os interlocutores avaliam que o presidente já acumula diversas derrotas, não apenas no STF, mas também na busca por um candidato ao governo de Minas Gerais. Rodrigo Pacheco, que seria uma opção, optou por não concorrer, alegando a falta de uma articulação ampla por parte de Lula.
A tentativa de convencimento por parte de Lula e de Geraldo Alckmin para que Pacheco se candidasse, até agora, se mostrou infrutífera. Paralelamente, Alcolumbre estaria movimentando-se para garantir um cargo no Tribunal de Contas da União para Pacheco, relacionado à possível saída de Bruno Dantas.
Cenário Político Desfavorável
A analista Edilene Lopes ainda destacou que o futuro de uma nova indicação de Messias parece complicado. Com a possível reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado na próxima legislatura e uma composição que tende a ser mais conservadora, as perspectivas para o Partido dos Trabalhadores (PT) não são animadoras. Ela sugere que, para tentar alterar o curso da situação, o PT poderia considerar lançar um candidato próprio à presidência do Senado, um movimento que, no entanto, nem aliados de Lula nem de Alcolumbre acreditam que possa realmente ocorrer. Para que uma nova articulação em torno de Messias funcione, seria necessário surgirem novas circunstâncias, caso contrário, uma nova indicação seria vista como uma derrota histórica para o presidente.
Obstáculo Regimental
Em outro ponto abordado por CNN Prime Time, o analista Caio Junqueira ressaltou um obstáculo regimental significativo que complica essa pretensão de Lula. Segundo o Ato da Mesa número 1 de 2010 do Senado, a apreciação de uma indicação já rejeitada na mesma legislatura é proibida. A atual legislatura encerrará com a posse de uma nova composição marcada para o dia 1º de fevereiro do próximo ano, logo após as eleições.
Junqueira reiterou que, neste ano, o Senado não pode novamente considerar o nome de Messias. Para que uma nova votação acontecesse, seria necessário modificar esse regulamento, o que implicaria a necessidade de negociações com Alcolumbre — um cenário, segundo Junqueira, que atualmente não parece viável, dada a frágil relação entre os dois.



