
Aumento dos Preços do Diesel Complica Orçamentos das Escolas nos EUA
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, a escalada dos preços do diesel, impulsionada pelo conflito com o Irã, vem comprometendo os já limitados orçamentos dos distritos escolares norte-americanos. Esse fenômeno está elevando custos com o transporte de estudantes e a operação de geradores, um ônus que, segundo especialistas, não poderá ser suportado por muito mais tempo.
Diversos distritos escolares, como os de Yakima, no estado de Washington, e Waco, Texas, estão utilizando reservas de emergência para assegurar que os ônibus escolares continuem a rodar. Em regiões remotas do Alasca, as autoridades lutam para garantir combustível suficiente para manter a energia e facilitar o funcionamento das escolas, conforme demonstram entrevistas feitas pela Reuters.
Trevor Greene, superintendente de Yakima, expressou sua preocupação: "É mais do que a gota d’água, é como um monte de feno". Essa situação reflete os efeitos indiretos da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, que resultou na interrupção do fornecimento de aproximadamente um quinto do petróleo global.
Desde o início do conflito no final de fevereiro, os preços dos combustíveis passaram por um aumento vertiginoso, tornando-se uma das escaladas mais rápidas que a indústria já presenciou. Essa inflação não só afetou as economias em várias partes do mundo, mas também se transformou em um desafio político para o presidente Donald Trump, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando e seu partido, o Republicano, buscando manter a maioria no Congresso.
O Conselho Americano de Ônibus Escolares mencionou que as frotas de ônibus escolares nos EUA são grandes consumidoras de diesel, abastecendo-se com mais de 800 milhões de galões por ano. Desde dezembro, o valor pago pelas frotas de todos os tipos por diesel subiu 67%, atingindo US$ 5,52 por galão. Essa inflação deve acrescentar cerca de US$ 1,8 bilhão aos custos anuais de operação dos ônibus escolares, conforme uma análise da empresa Samsara.
O diretor executivo da Associação Internacional de Diretores Financeiros Escolares, James Rowan, afirmou que embora seja possível se preparar para custos maiores, as flutuações rápidas nos preços dificultam a elaboração de orçamentos precisos. Ele ressalta que mesmo os distritos que encontraram formas de suportar esses custos no presente podem não ter a mesma capacidade no futuro.
Uma pesquisa revelou que quase um terço dos distritos escolares nos Estados Unidos está realocando recursos de outras áreas ou programas para lidar com o aumento dos custos com combustível, e cerca de um quinto está utilizando reservas ou fundos emergenciais. Esse estudo foi realizado com 188 profissionais da educação pela Associação de Superintendentes Escolares (AASA) durante a primeira semana de maio.
Os resultados desta pesquisa, que foram exclusividade da Reuters, apontam que os gestores escolares estão tentando economizar adotando medidas como consolidar rotas de ônibus, implementar campanhas de redução de marcha lenta e ajustar as práticas de compra de combustíveis, além de adiar manutenções e cortar gastos administrativos e de pessoal.
Orçamentos em Crise
Os dirigentes do distrito escolar de Yakima informaram que o preço do diesel aumentou 64% em comparação ao ano anterior, atingindo a marca de US$ 6,30 por galão. Com essa nova realidade, o distrito pode necessitar desembolsar US$ 213.000 a mais anualmente apenas para operar os 60 ônibus da frota, o que se equipara ao salário de dois professores, segundo Greene.
Esse aumento representa um peso significativo para um distrito essencialmente agrícola, que já enfrenta uma taxa de pobreza alarmante de 86%. Durante este tempo crítico, o distrito decidiu realizar compras pontuais de diesel, abastecendo seu tanque de 30.000 galões apenas em dias de preços mais baixos.
Christopher Mills, superintendente das escolas públicas de Thief River Falls, em Minnesota, mencionou que os custos de diesel para o transporte de até 800 alunos aumentaram cerca de 30% desde o início do conflito. Ele destacou que, enquanto o distrito trabalha para mitigar os efeitos diretos nas salas de aula, há a possibilidade de cortar serviços de apoio ao aluno caso essa tendência continue.
Até mesmo distritos em Texas, um estado rico em petróleo, não estão imunes: o Distrito Escolar Independente de Waco, que opera mais de 80 ônibus numa média diária de 96 quilômetros, enfrentou um aumento de 84% nos preços dos combustíveis desde o ano passado.
Desafios em Regiões Remotas
No distrito escolar de Yupiit, situado no sudoeste do Alasca, o diesel é utilizado não apenas nos ônibus, mas também para aquecimento das salas de aula e para os geradores que fornecem energia aos locais. O superintendente Scott Ballard alertou que, se a geração de eletricidade não for mantida, as escolas não poderão funcionar.
Atendendo a 550 alunos e enfrentando severas condições climáticas que limitam o acesso ao combustível, a liderança do distrito agora vive uma pressão intensa. Eles se deparam com a decisão de fixar um preço que é quase 66% superior ao do ano passado ou correr o risco de uma possível queda nos preços, uma situação que eles consideram extremamente desafiadora.
Por outro lado, algumas das maiores redes escolares dos EUA encontram-se em melhor posição para lidar com a volatilidade dos preços dos combustíveis. O Distrito Escolar da Cidade de Nova York, o maior em termos populacionais, terceiriza cerca de 60% de seu transporte escolar e transferiu as oscilações de preço para as empresas contratadas. O Distrito Escolar Unificado de Los Angeles, que está aos poucos eliminando ônibus a diesel, atualmente 70% de sua frota de aproximadamente 1.300 ônibus já funciona com alternativas energéticas.
Um porta-voz do distrito de Los Angeles afirmou que, embora o aumento do preço do diesel continue pressionando o orçamento de transporte, o distrito está tomando medidas proativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, investindo pesadamente em transporte sustentável.
Referências técnicas:



