
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, ex-número dois de Ciro Nogueira na Casa Civil durante a presidência de Jair Bolsonaro, está sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de ter recebido R$ 1,3 milhão da refinaria Refit por meio de sua empresa de consultoria. Essa denúncia foi revelada na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que acionou a Operação Sem Refino na última sexta-feira (15). Na decisão, Jonathas é mencionado por suas atividades financeiras consideradas atípicas associadas à Sary Consultoria e Participações LTDA, um empreendimento do qual possui 100% das ações.
A Refit é uma refinaria de propriedade de Ricardo Magro, que é considerado um dos principais sonegadores de impostos do país. Magro vive em Miami, EUA, há mais de uma década e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018. Entre 17 e 31 de março de 2025, a conta da Sary recebeu R$ 765.698,09 da Refit, além de outras transferências provenientes de empresas ligadas ao grupo de Ricardo Magro, como ROAR Inovação (R$ 382.849,04), Fera Lubrificantes (R$ 320.263,13) e Flagler (R$ 62.585,89). Ao todo, a movimentação financeira de Jonathas durante esse período totalizou R$ 1.320.000,00.
A PF descreve que os valores creditados na conta da Sary eram imediatamente transferidos para a conta pessoal de Jonathas, levando a organização a ser classificada como uma “empresa de passagem”, sem despesas operacionais significativas ou estrutura administrativa.
Um novo revés para Ricardo Magro ocorreu com a decretação de sua prisão preventiva pelo STF, que também solicitou sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, facilitando sua captura internacional. A Operação Sem Refino, além de investigar Jonathas, resultou em mandados de busca na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e na sede da Refit em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O empresário é acusado de liderar uma organização criminosa que elaborou esquemas complexos para sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, tanto em território nacional quanto no exterior. As investigações indicam que o grupo utilizado empresas de fachada, holdings, e offshores em paraísos fiscais para seus ilícitos. Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos ultrapasse R$ 52 bilhões, especialmente em ICMS não recolhido no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Além disso, o documento aponta a interação do grupo com órgãos públicos, como a Secretaria de Fazenda do RJ, ANP, Receita Federal, e membros do Judiciário, para assegurar benefícios tributários e decisões judiciais favoráveis. Parte dos lucros, segundo a PF, era desviada para o exterior, sendo frequentemente reinvestida disfarçada de investimentos ou utilizada para a aquisição de bens e ativos protegidos contra ações judiciais.
Ricardo Magro, advogado e empresário de 51 anos, é uma figura polêmica e contínua no setor de combustíveis. À frente da Refinaria de Manguinhos, hoje Refit, ele tem enfrentado investigações tributárias e disputas com diversas entidades de fiscalização. Residindo em Miami desde 2016, Magro possui uma formação jurídica pela Universidade Paulista e um histórico de conflitos com o fisco, afirmando que suas dificuldades financeiras são resultado de uma perseguição por grandes conglomerados do setor. Recentemente, ele acusou a Cosan, proprietária da Shell no Brasil, de orchestrarem uma campanha contra ele através do Instituto Combustível Legal. Em declarações, Magro ainda se mostrou vítima de ameaças de grupos criminosos.



