
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, as recentes conversações entre os Estados Unidos e o Irã têm se desenrolado em meio a um cenário de altos e baixos, demonstrando um complicado tabuleiro geopolítico. Em uma entrevista concedida ao programa CNN Prime Time, Vitelio Brustolin, docente da Universidade Federal Fluminense e pesquisador na Universidade Harvard, ofereceu uma análise aprofundada dos diversos fatores que permeiam essas interações diplomáticas.
Brustolin salientou que, mesmo após os ataques promovidos por Estados Unidos e Israel que devastaram consideravelmente a marinha iraniana e abalaram a força aérea do país, o Irã ainda possui um considerável poder militar. "O Irã mantém uma força terrestre robusta, com 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas", mencionou. Esta capacidade permite que a nação continue a exercer influência na região, especialmente através do Estreito de Ormuz, valendo-se de ferramentas como minas navais, drones e mísseis.
O especialista ressaltou que a atual dinâmica não se trata de uma negociação de uma nação derrotada militarmente. "Não se trata de uma negociação de um país que foi derrotado em um conflito militar, mas de um sistema que continua a ter poder, apesar dos pesados ataques que afetaram sua marinha e força aérea", declarou.
A pressão eleitoral e a popularidade de Trump
Um aspecto central nas conversas é o tempo, que, conforme Brustolin indicou, joga a favor do regime iraniano. Donald Trump enfrenta crescentes pressões eleitorais nos Estados Unidos, com as eleições de novembro se aproximando. "Trump e seu partido estão bastante preocupados com essa situação", observou o investigador.
Brustolin também apontou que uma parcela significativa do movimento MAGA (Make America Great Again) tem criticado a postura agressiva de Trump, que contraria suas promessas feitas durante a campanha. "Trump se comprometeu a ser o presidente da paz. Em suas declarações de 2024, ele afirmou que Kamala Harris mergulharia os Estados Unidos em uma guerra", lembrou Brustolin, destacando que essa contradição pode afetar o apoio do ex-presidente no Congresso.
Questões nucleares e propostas de acordo
Um dos tópicos mais cruciais nas tratativas é o programa nuclear iraniano. Brustolin explicou que, após a saída de Trump do acordo estabelecido por Obama em 2015, o Irã intensificou seu processo de enriquecimento de urânio. "Após a saída de Trump em 2018, o Irã começou a enriquecer urânio a 60%. Atualmente, o país possui 440 quilos de urânio enriquecido a essa porcentagem. É um salto para enriquecer a 90% e produzir pelo menos 10 ogivas nucleares", alertou.
As propostas em discussão atualmente revelam um impasse considerável. Enquanto J.D. Vance, vice de Trump, sugeriu um acordo em que o Irã não enriqueceria urânio por 20 anos (superando os 15 anos do acordo de Obama), o Irã, por sua vez, ofereceu apenas um compromisso de cinco anos sem enriquecimento. Essa disparidade nas propostas destaca a complexidade das negociações e a manutenção do poder de barganha do Irã, mesmo após sofrer ataques militares significativos.



