
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, as sabatinas para a seleção do novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) tiveram início nesta terça-feira (21) em Nova York, sede da organização. Este ano, o português António Guterres cederá a liderança, já que se encontra em seu último mandato.
Atualmente, quatro candidatos disputam a posição:
- Michelle Bachelet: ex-presidente do Chile;
- Rafael Grossi: diplomata argentino, atualmente diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica;
- Rebeca Grynspan: ex-vice-presidente da Costa Rica;
- Macky Sall: ex-presidente do Senegal.
Desde o ano passado, o Brasil tem defendido a eleição de um latino-americano para o cargo, enfatizando a importância da rotatividade no sistema. Além disso, o país promove a ideia de que uma mulher deve ser escolhida para a função. Para isso, o governo brasileiro tem trabalhado para o estabelecimento de apoio conjunto pela Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, esteve presente em Genebra no dia 9 de outubro. Ao longo de 80 anos de existência da ONU, a organização já contou com nove secretários-gerais, todos homens. A própria entidade reconhece que "a pressão está aumentando" para que uma mulher assuma a posição, embora reforce que "não há garantias".
Nesse contexto, o Brasil formalizou em fevereiro seu apoio à candidatura de Bachelet, que já atuou como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e como diretora-executiva da ONU Mulheres. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacou que Bachelet possui "habilidade para promover o diálogo" e uma vasta experiência em "processos políticos complexos", evidenciando seu compromisso com os valores fundamentais da organização.
O Itamaraty ainda frisou que "a candidatura de Michelle Bachelet representa uma oportunidade de dotar a ONU de uma liderança com experiência reconhecida, legitimidade internacional e vocação para o serviço público", adicionando que sua liderança pode ajudar a cumprir os objetivos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. O perfil oficial do ministério nas redes sociais tem compartilhado as postagens de Bachelet sobre sua visão para a ONU, caso seja eleita.
O papel do secretário-geral inclui:
- Dirigir o secretariado da ONU e as operações globais;
- Levar ao Conselho de Segurança as questões que possam ameaçar a paz internacional;
- Atuar como mediador, defensor e porta-voz em crises globais;
- Implementar as decisões dos Estados-membros.
Críticas de Lula à ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem frequentemente criticado a ONU, tanto em discursos no Brasil quanto no exterior. Segundo ele, a organização perdeu influência desde o término da Segunda Guerra Mundial, mencionando que alguns países do Conselho de Segurança, como Estados Unidos e Rússia, estão envolvidos em conflitos.
Lula caracterizou os membros do Conselho de Segurança como "senhores da guerra", ressaltando que não existe atualmente uma instituição capaz de proclamar "paz" em nível global. Em um de seus pronunciamentos, o presidente afirmou que "o que observamos é uma ausência total de funcionamento das Nações Unidas. O objetivo do Conselho de Segurança e de seus membros permanentes era manter a paz, mas são eles que geram a guerra".
Perfil de Michelle Bachelet
Michelle Bachelet, médica e socialista, serviu como presidente do Chile em dois mandatos: de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018. Durante seu segundo mandato, ela prometeu realizar reformas significativas na educação e na tributação, além de reduzir as desigualdades sociais. No cenário internacional, ganhou reconhecimento como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, onde criticou ataques a instituições democráticas e defendeu a transparência eleitoral em várias nações, incluindo o Brasil.



