
Um fenômeno raro tem impactado as ostras cultivadas na Baía Sul, em Florianópolis, fazendo com que apresentem uma coloração esverdeada. De acordo com informações do portal g1.globo.com, essa alteração é causada pela proliferação de um tipo de microalga, pertencente ao grupo das diatomáceas, que não é tóxica e, na verdade, melhora a qualidade e o sabor das ostras, vieiras e mexilhões.
Gabriel Filipe Faria Graff, engenheiro de Aquicultura e doutorando em Biotecnologia e Biociências, ao lado de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), observa que esse fenômeno já foi registrado anteriormente em Santa Catarina, em 2009 e entre 2015 e 2016. Atualmente, os estudos estão investigando se a microalga em questão corresponde à espécie Haslea ostrearia, conhecida na França por produzir um pigmento azul chamado marennina.
Para aprofundar o conhecimento sobre esse fenômeno, os pesquisadores realizarão análises moleculares para confirmar a espécie e estudar as condições que favorecem sua ocorrência, como correntes marítimas, ondas de calor e fatores ambientais. Gabriel ressalta que essa investigação pode ajudar a identificar condições ideais para o cultivo da microalga em laboratório.
Recentemente, a floração da microalga surpreendeu os maricultores, que foram alertados por consumidores sobre um aspecto “mofado” das ostras. Após investigação e análises em parceria com o Laboratório de Ficologia (LAFIC) da UFSC, confirmou-se que a floração era, de fato, de diatomáceas do gênero Haslea. Rafael Diego da Rosa, professor e coordenador da rede internacional de pesquisa EcoHealth4Sea, ressaltou o grande potencial biotecnológico dessa microalga, com aplicações que vão desde a produção de alimentos até na área farmacêutica.
Os estudos em andamento contam com a colaboração de diversos pesquisadores, incluindo os professores Leonardo Rubi Rörig e Carlos Yure Barbosa Oliveira, além da pós-doutoranda Bruna Rodrigues Moreira, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).



