
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o setor do agronegócio brasileiro reitera a necessidade de reavivar a discussão acerca do financiamento do seguro rural, propondo o uso de recursos provenientes de fundos públicos e reservas internacionais. A urgência dessa conversa surge em um contexto onde o atual modelo de financiamento é considerado insuficiente para suportar a expansão necessária do seguro rural, especialmente em um ambiente caracterizado por crescente vulnerabilidade climática e uma dependência acentuada do financiamento privado no campo.
Os representantes do agronegócio argumentam que é imprescindível a criação de uma fonte de recursos mais confiável para o seguro rural, algo que não fique à mercê de cortes orçamentários e contingenciamentos frequentes. Dentro dessa discussão, eles propõem estabelecer um fundo que combine tanto participação pública quanto privada, enquanto também examinam fontes já disponíveis que possam sustentar essa nova estrutura.
Durante uma entrevista após um evento do setor segurador, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) enfatizou que essa questão ficou em pauta novamente. Lembrou que já havia considerado anteriormente a utilização de reservas internacionais, com propostas discutidas junto ao ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Na semana passada, ao dialogar com minha equipe, lembrei desta conversa,” afirmou a senadora. “Não estou segura se isso é viável, pois é necessário um estudo aprofundado, mas acredito que devemos avaliar essa possibilidade.”
A senadora também destacou que esse caminho ainda apresenta incertezas e deve passar por análises técnicas rigorosas. Outras opções para assegurar a criação dessa estrutura de fundo estão sendo consideradas, com o BNDES sendo cogitado como uma das instituições que poderia colaborar na formação deste modelo de co-financiamento.
Além disso, Tereza Cristina mencionou a possibilidade de modificar fundos existentes, como o famoso fundo social do petróleo. “Temos vários fundos que dispõem de recursos subutilizados. Por exemplo, o Rio Grande do Sul apresentou uma proposta de securitização baseada no fundo do pré-sal; isso pode ser uma opção a ser explorada,” explicou.
A equipe da senadora já se encontra em diálogo com o governo federal e o Ministério da Fazenda em busca de soluções concretas e viáveis para essas propostas. Durante a conversa, Tereza Cristina destacou: “Estamos avaliando essas alternativas, e espero que possamos chegar a uma solução que beneficie significativamente a agricultura no Brasil.”
Dyogo Oliveira, presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), também sublinhou a urgência de integrar novas fontes de financiamento ao setor de seguros rurais. Ele fez uma análise do custo de manutenção das reservas internacionais, que, segundo ele, precisa ser considerada nesta discussão.
Oliveira indicou que, nos últimos 12 meses, o Brasil operou com uma taxa básica de juros próxima de 15% ao ano, enquanto as reservas internacionais geraram apenas cerca de 4%. Ele alertou que essa diferença, juntamente com a desvalorização do dólar, implica um gasto de aproximadamente 22% ao ano para a manutenção dessas reservas, totalizando cerca de R$ 400 bilhões.
“É essencial refletirmos sobre o custo que essas reservas nos impõem e o que poderíamos fazer com elas,” argumentou durante a coletiva. Ele acredita que essa discussão pode abrir portas para soluções já adotadas em outros mercados para cobrir eventos extremos, como o uso de cat bonds, que são instrumentos projetados para garantir riscos catastróficos, especialmente relevantes no agronegócio.
O setor reforça que a relevância dessa discussão aumenta, especialmente considerando que o seguro rural perdeu espaço nos últimos anos, enquanto o acesso ao crédito no agro tem se tornado cada vez mais dependente do mercado privado e os riscos climáticos têm se intensificado. A falta de uma estrutura de proteção adequada aumenta a vulnerabilidade financeira dos produtores e compromete a capacidade de resposta do sistema agrícola nacional.
Em suma, a proposta do agronegócio para criar mecanismos de financiamento mais seguros para o seguro rural é um convite ao debate. O objetivo é garantir uma rede de proteção que ajude a mitigar os impactos das adversidades climáticas, fortalecendo assim a resiliência do setor agrícola brasileiro.



